31 março 2011

Impulsivamente

Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se trata de intuição, mas de simples infantilidade.  Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Há um perigo: se reflito demais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais: Nem sempre os meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera. Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; outras, como me disse uma amiga a meu respeito,
são: cólera sagrada. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime, às vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna. Que farei então? Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais:
eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura.
Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso.
Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.

Clarice Lispector

30 março 2011

Querida leitora,

costumo comparar o amor a um vírus mutante. Ele pode surgir, se desenvolver, desaparecer, voltar com força total e se alojar novamente. Pode machucar por uns tempos, ou ficar doendo para sempre. O amor está sempre
se transoformando. Ele sempre surpreendente e cada experiência é singular, especial, intransfirível e assim sendo, nenhuma pode lhe servir de exemplo. Investigue, portando, a natureza do seu vírus, em que estado ele está. Mas atenção: nem sempre é fácil entender o que sentimos, principalmente quando sentimos o que não queremos. Sei que é difícil, mas é possível, se você tiver coragem de tentar e de ser honesta com você mesmo. Boa sorte.

Novela tititi (Isis Valverde como Marcela Andrade)

Abraços curam

O abraço é milagroso, é medicina realmente muito forte. O abraço como sinal de afetividade, de carinho e de perdão pode nos ajudar a viver mais tempo, proteger-nos contra doenças, curar a depressão e fortificar
os laços conjugais e familiares. O abraço é excelente tônico! Hoje sabemos que a pessoa deprimida é bem mais suscetível a doenças. O abraço diminui a depressão e revigora o sistema imunológico da pessoa. O abraço injeta nova vida nos corpos cansados e fatigados, e a pessoa abraçada se sente muito mais jovem e vibrante. O abraço aumenta significativamente a hemoglobina na pessoa tocada. Para lembrar, hemoglobina é aquela parte do sangue que transporta o oxigênio para os órgãos mais vitais do nosso corpo, inclusive o cérebro e o coração. O uso regular do abraço, por isso tudo, prolonga a vida, sara a depressão e estimula a vontade de viver, crescer e progredir.
ABRAÇOS CURAM.

28 março 2011

Não entendível

O que antes era o assunto mais termido, agora o mais comentado. Tudo começa bem de repente, a gente leva um tombo pequeno, daqueles que não caimos totalmente, depois sentimos um empurrão querendo nos apresentar o chão, mais uma vez somos fortes o suficiente para nos equilibrar. Mas ai basta uma brisa fraca e a gente não aguenta o peso, a dor, a solidão e a saudade. E infelizmente, nesse momento, a gente cai. O mais incrível é que sentimos que o que menos queremos que aconteça, vai acontecer. A gente sente e sofre por antecipação, ainda tem mais essa. O ser humano é mesmo muito estranho. Era melhor sofrer só uma vez. Bastava. Mas ai o coração aperta, e aperta muito, e o pressentimento que julgamos ruim se aproxima cada vez mais. E da mesmo forma que tudo começou, de repente, também acaba. O tombo não é tão grande, mas o choro é incalculável. Nos tornamos uma criança quando não é ouvida, ou até mesmo quando esperneiam e fazem birras no shopping center querendo brinquedos. Realmente a gente volta a nossa infância. Aquele abraço da avó que a gente recebia quando chegava da escola, hoje a gente quer pra derramar as lágrimas. O pirulito que se ganha quando come todo o almoço, e vale ressaltar que a felicidade é inconfundível, hoje a gente quer pra se consolar. O cabelo que a gente não queria cortar, hoje fazemos questão de fazer isso, só pra ver se a autoestima aumenta um pouco. Funciona, mas por pouco tempo. Ele vai crescendo juntamente com sua dor. E é tão inútil essas formas de tentar esquecer algo ou alguém. O único remédio são os amigos, ou pelo menos aquelas pessoas que sabem te fazer sorrir. Quando seus dentes são mostrados e aquela gargalhada é ouvida por todos, eu garanto que naquele momento tudo que te aflingia e te preocupava foi embora, voou para bem longe, e só voltará quando você estiver sozinho mais uma vez. O problema está ai. A dor sempre volta. Aí você se pergunta: Então, ela nunca vai embora, não é mesmo? Não, não é mesmo. Não a sol sem tempestade. Então antes das melhores coisas da sua vida acontecer você precisa passar por momentos imprevisíveis e sentimentalmente dolorosos, que te ajudem a crescer pisciologicamente e emocionalmente e que te deixem forte para enfrenter outros nas próximas fases. Você precisa desses momentos pra poder dar valor aos bons e aos que você sempre quer que se repitam. E não importa o quanto a gente escreva tampouco o quanto a gente tente expressar tudo que sentimos e até mesmo aquilo que se passa dentro de nós que ainda não descobrimos o nome. Dizem que é amor, mas pra mim tem outro nome. Vou decifrá-lo. Enfim, não vai importar também quem esteja com você, nem o que você estude. Não importa o seu trabalho nem as horas que você passa na academia. Você nunca vai conseguir expressar a dor e a saudade em palavras emprobrecidas. Você só quer uma presença, uma única pessoa ao seu lado. E sempre vai ser aquela que menos vai estar com você. A ausência vai ser sempre daquele que você mais ama, que você mais quer, que você mais precisa, que você mais pensa, que você mais sente, e que você menos tem. Nada muito entendível, nada muito explicável. Só sou digna de sentir.

Dani Fechine

20 março 2011

Lacrimejei

Existem certos momentos na sua vida que você se perde completamente e não sabe mais como agir, falar e até mesmo chorar. Falo daqueles momentos que se repetem e ainda assim você continua voando no problema e no sofrimento. É aquele velho desespero de quando se perde alguém. Alguém que não foi embora do mundo inteiro, mas sumiu do seu mundo. Aquele alguém que sempre te deu a mão e um dia já quis te mostrar pro mundo como o maior amor da sua vida. Você acaba saindo da vida daquela pessoa que você mais amou, e pela qual mais foi amada. Você acaba indo embora e deixando pra tras tudo que só te fazia bem. Aquele abraço protetor que te envolvia e te deixava segura, os sorrisos que te causavam e o próprio sorriso que você costumava ver. Nessas horas você acaba vendo que a realidade machuca bem mais que a ilusão, e que a saudade vai martelar cada vez mais no seu coração. O pior de tudo é que você não vai saber reagir a isso e a sua única saída vai ser desabar num choro. Nesse momento você vai querer a todo custo essa pessoa que te deixou, pois só ela vai saber te abraçar como você precisa e como você quer, só ela vai saber te acalmar e silenciar esse coração que tanto grita. Mas no fundo você ver que existe pessoas ao seu redor que te amam muito mais, e que jamais vão te abandonar. As vezes os seus melhores namorados são os seus amigos. É bom tê-los. Com eles você pode silênciar e deixar cair uma lágrima, ou várias. Você pode desabar alí, na frente dele, e ele irá te reerguer e te mostrará as melhores coisas do mundo. São os conselhos que você tem pra receber, e que nem sempre você escuta. Mas sabe que deveria. Nessas horas você agradece ter conhecido essas pessoas e agradece também a elas por tudo que fazem por você. Na verdade você procura uma forma de fazer isso, mas nunca acha. Mas no fundo você é externamente grato por cada abraço que te acalentou, ou que pelo menos tinha essa intenção, grato por cada palavra confortante, pelo ombro que te foi oferecido pra chorar e você realmente chorou, pela liberdade que te dão pra você jogar todo o seu mundo pra fora e nem que seja um simples abraço recebido de volta. Eles irão te dizer que isso vai passar e que estarão ao seu lado sempre. E o que você mais quer é que tudo isso acabe mas que volte a ser como era antes. Ninguém nunca vai embora sozinho. Sempre levam tudo que nos trouxeram um dia, e é isso que mais machuca. Ninguém nunca me falou que seria fácil, mas também nunca disseram que seria tão difícil. Acabei descobrindo que é mesmo verdade quando dizem que o amor é como um elástico, o primeiro que solta machuca o outro. Ainda há muito o que escrever. Esse sentimento que está aqui é bem maior do que a gente imagina, e as sensações são diversas. Há uma história por vir.

Dani Fechine