12 agosto 2011

Labirinto particular

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Entrei num labirindo, bem florido por sinal, não encontro a saída, e as luzes se apagaram. Talvez tenha arrancado algumas pétalas, ou melhor, algumas flores. Talvez seus cheiros tenham perdido a suavidade. Talvez as raizes, feias e cinzentas, tenham tomado conta do seu final, onde a luz seria a salvação. Enfim, o ambiente floral encontrado de início, secou. As folhas e pétalas agora caem, e fazem do labirinto algo sombrio, sem vida, sem cor e sem suavidade. Caso eu encontre a saída, te darei um sinal. Ai, cada pétala irá surgir novamente, as flores voltarão, e consigo, o verdadeiro amor que talvez nunca deveria ter saido do seu coração. Sem saída? Não. Algumas flores ainda permanecem vivas. Vá em direção a elas. Encontrarás o seu caminho, e se realmente é ele que procuras, seja a felicidade em forma viva. Não se preocupe. Também encontrarei o meu, e independente do seu, seguirei do jeito que deve ser.  Confeço que não saberei, talvez, encontrar a saída sem a sua presença. Mas sei que em direções opostas ou não, nos encontraremos no final. Não. Eu não tenho certeza de nada. E nem leve essas palavras para si. Elas são minhas, e só eu as entenderei perfeitamente. Não tente compreende-las. Talvez não as interprete como deve. Também não pense que será fácil após achar a saída. Um outro labirinto se criará, e Deus sabe como será sua decoração.

Dani Fechine

09 agosto 2011

Fora de questão

Tem horas que a melhor solução é simplesmente deixar as coisas rolarem. 
E foi assim que ela passou a frequentar os bailes a noite, as boates mais badaladas, as festas mais faladas. Foi assim que ela passou a vestir um vestido coladinho preto que parece mais um elástico enrolado na gente e saiu por aí como quem não é dona de ninguém. E realmente nunca foi. Foi depois disso que ela, muito linda e vistosa, alisou os seus cabelos, pintou as unhas de vermelho, entrou na academia e comprou um salto alto. Abandonou as sapatilhas. Quando isso aconteceu ela comprou uns short's jeans curtinhos, umas regatas e um biquine novo. Passou a frequentar mais a praia, mas aquela praia 'bem' frequentada, se é que entende. Ela mudou o seu olhar e o seu sorriso. Eles agora eram chamativo e indireto, respectivamente. Ela pintou o cabelo de loiro, mas aquele bem forte e falso sabe? Que parece água oxigenada mesmo. Deixou crescer bem muito pra ficar mais atraente e sedutora. Comprou umas lentes azuis, o rímel mais potente que existia na 'loja de maquiagem cara' e um batom vermelho. É, ela passou a usar batom. Fez uma feira de brincos novos, porque argolinhas e bolinhas já não estavam dando mais certo. Abandonou o tênis, esqueceu as calças jeans. Mudou o humor, mudou as piadas e a forma de entender as coisas. Agora ela está muito engraçada, sabia? Faz todos rirem do que fala e sabe como interpretar o que é dito de diversas formas. Ela não pega mais na mão de ninguém, só se for pra orar. Beijinho no pescoço não a pega mais, muito menos mordida na orelha. Depois que ele passou ela deixei de ser a meiga, que nunca teve nada de meiga mas era o que parecia, deixou de ser a chata, incompreensiva e menina quietinha. Passou a ser alguém que lhe notassem, e que pelo visto, lhe dessem menos valor ainda. Passou a não o ver mais, mesmo estando na sua frente e a ignorá-lo ainda mais quando dirigisse-lhe a palavra. Passou a vê-lo como mais um que passou. E depois disso tudo, ela ainda pode dizer que deixou de pensar em mudar tanto e continuou sendo a mesma de sempre. A mesma meiga, a mesma chata, a mesma simpatica e antipática, a mesma complicada e incompreensivas as vezes, a mesma que sente saudades mais do que qualquer pessoa. Ela ainda pode dizer que deixou de ser quem pensou que deveria ser e passou a ser quem sempre foi. Ela ainda pode te dizer que isso tudo foi só um texto ilustrativo e que foge totalmente da realidade. Ela não passou a usar batom, mas ficou com o rímel que comprou. Desistiu dos saltos, dos vestidos que todas têm e que se tornam tão iguais. Abandonou o pesadelo de pintar o cabelo e cortou-o como sempre quis. Pintou as unhas de vermelho, porque nenhum mal havia nisso. Não frequentou festa badalada nenhuma, ela nunca foi disso e nunca quis ser. Quando tudo isso aconteceu ela sentou, pensou, pensou e pensou tanto que resolveu levantar-se e esperar tudo passar, mas não mais sentada. Ela decidiu seguir como tava seguindo a uma semana atrás só que agora com uns obstáculos a superar. Ela decidiu, ainda que chorando muito, não fazer a própria vontade. E foi assim, depois disso tudo, que ela passou a ser grande. "Não se sinta esquecido", porque ela ainda não teve a coragem de o fazer.

Dani Fechine

07 agosto 2011

Confia em mim - Vida Reluz

Vem que a tempestade já não pode te abalar
A segurança em meu barco encontrarás
Confia em mim o meu amor te abrigará
Sei que angustiado o coração se endureceu
mas eu entendo tudo o que te aconteceu
Ainda é tempo de voltar para o teu Deus
Não tenhas medo pois eu estou aqui é o teu Senhor quem diz
Quero guiar os passos teus
Vem entrega-te então farei morada em teu coração
E quando anoitecer cansado eu te encontrar
No silêncio teu eu irei te consolar
Nos braços meus descansarás
Forças te darei

Forças te darei

06 agosto 2011

Faz de conta que não dói

Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, “hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu”). Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: “É melhor viver do que ser feliz”. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa.Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o unico jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto, quando é pra ser.. não tem jeito, acredite! Vai passar.

Caio Fernando Abreu

05 agosto 2011

O Pequeno Príncipe

 


VII
"-Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla."
IX
"-É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas!
[...]
"-Não demores assim, que é exasperante. Tu decisdiste partir. Então vai."
X
"-Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar."
"-Tu jugarás a ti mesmo - respondeu-lhe o rei. É mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar aos outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."

XXI
"-A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
-Que é preciso fazer? - perguntou o pequeno príncipe.
-É preciso ser paciente - respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
-Teria sido melhor se voltasses à mesmo hora - disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade."
XXVI
"O sentimento do irremediável me fez gelar de novo. E eu compreendi que não poderia suportar a ideia de nunca mais escutar aquele riso. Ele era pra mim como uma fonte no deserto."
"-O que é importante não se vê...
-Sim, eu sei...
-É como com a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é bom, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estarão floridas..."

O Pequeno Príncipe - Antonie de Saint-Exupéry