02 junho 2012

Mudando da Rotina - Listen


Como Nossos Pais


Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos

E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não

Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
___
Dá vontade de deixar a música inteira em negrito, porque é uma das mais bonitas pra mim. Não é por falta de texto que tô colocando ela hoje, é mais porque ela descreve muita coisa... Dani Fechine

26 maio 2012

"É como não ver o Sol mas ter certeza que está lá"

Hoje é uma noite daquelas em que algo muito grande brilha por trás de um ofuscamento.  É como se nada conseguisse apagar seu brilho, sua luz e sua chama. Hoje me parece uma daquelas noites em que você se torna a "totalmente  equivocada", uma noite, entre tantas outras, que fez seu brilho se tornar insignificante. Mas assim como a estrela de alguém sempre brilha quando a sua apaga, existe alguém, alguém muito especial (embora você não saiba) que precisa de você pra ter um brilho mais intenso.
Nossa vida é como um eclipse. Dependendo da posição da Lua em relação a Terra, ela brilhará mais amplamente. Quero dizer que nem sempre estaremos expostos em uma prateleira em promoção, daquelas que chamam a atenção de todos. E isso nunca é um privilégio. A promoção acaba, o produto volta ao seu esconderijo e voalá, ninguém lembra mais dele, só os bastante necessitados. Não há ninguém nessa vida que passe por você e permaneça eternamente da mesma forma. Novas pessoas vão chegar, vão mostrar que nem tudo precisa ser "desta forma" e então você também não precisa ser a única; a única amiga, a única namorada, a única confidente. As pessoas passam, a gente cresce. E crescemos com um sonho de nos encontrarmos no futuro, ou de construirmos o mesmo futuro.
Amizade é mesmo uma coisa engraçada. Eles querem te ver bem, te ver pra cima, te ver feliz. Mas nunca melhor que eles. Isso é a essência da humanidade. Não adianta discutir. Mas quem sabe te consola pensar que isso é necessário; você precisa está melhor que o outro para poder ajudá-lo a ficar bem. É ingênuo pensar assim, mas não custa nada ter um pouco de criança feliz dentro de você. Existem os "famosos amigos de verdade" que nós tanto ouvimos falar. Esses são uns 3, no máximo (agradeço por ter muito mais que isso). E eu acredito nisso, eu confio que isso exista. Um só já te faz feliz pra vida inteira, você sabe disso. Mas trate de conhecer logo as pessoas. Não as deixe apagar o pouco de brilho que te resta. Vá com uma figuinha nos dedos e um olho grego no pingente do colar, vai que ajuda né? Você não sabe o que fazer, até que sua única alternativa é tentar conseguir. Na verdade, essa noite é apenas uma daquelas que a Lua brilha por trás da arquitetura, pouco criativa, de edifícios. Você não a enxerga, mas seu brilho nunca deixará de estar lá. 


Dani Fechine

12 maio 2012

Lembro, logo existo

Sabe quando dizem que quando você morre todo o passado passa por você, como uma fita em modo disparado? Pois bem. Consegui trazer tudo de volta, sem pensar em nada, apenas fixando um olhar. Numa simples noite tudo que há muito tempo hibernava, despertou sem ao menos piscar os olhos lentamente. Quando eu vi já era tarde, nada mais fazia sentido de novo. E sim, isso tudo é muito chato, muito estranho e muito seu também. Sim. É muito seu. Porque é só você que consegue tirar o sentido e foco de tudo. É só você que consegue me deixar envergonhada sem nem saber porque, me fazer perder as palavras e a escolha. Bem que você podia aparecer sem causar tanto impacto, tanta sombra em mim. Bem que você poderia entrar por aquela porta e não estrondar tanto o meu coração a ponto de pulsar visivelmente. Ou quem sabe você não deveria remeter o passado com um "você lembra?" porque eu irei lembrar sempre, e um sorriso bobo vai vir ao meu rosto quando eu confirmar a sua pergunta. E não, eu não quero parecer mais uma vez uma ridícula apaixonada. Porque simplesmente basta você sentar na minha frente e não olhar mais para trás, pra quem sabe eu começar a odiar as suas costas de tanto olhar pra elas. Mas logo me apaixonaria pela sua nuca e seu cabelo preto meio bagunçado. É algo um pouco complicado não querer passar a mão na sua cabeça e te fazer um carinho. Porque é meio que automático, só que no modo desligado sabe? Eu acho que você deveria me causar menos. Ser menos você, menos apaixonante e transparente. Você deveria ser menos assim como você é; capaz de causar uma reviravolta, uma viagem ao passado, um vontade de fazer não sei o que, apenas com esse olhar e esse sorriso meio torto de quem sabe tudo que se passa dentro de mim. Você poderia diminuir só um pouquinho esse veneno viciante pra ver se eu conseguiria ser mais eu, quero dizer, sem ter um pedaço tão grande seu colado em mim.  Porque se eu dou um passo a frente eu olho para trás, fingindo não ser nada, mas sabendo que foi só pra ver se você ainda estava ali. E ficar te procurando naquele ambiente, e receber suas mensagens secas e frias que eu não ligo mais por serem assim, e te ver interessado em algo bom, e te ver ali, na mesma linha que a minha, no mesmo objetivo que o meu. Você deveria ser menos eu. Você deveria mudar mais as coisas. Porque sempre que você vai, muita coisa acontece, muita coisa muda, e muita coisa vai embora, mas muita coisa também chega. Só que quando você vem, não importa como, não importa a situação, não importa o momento, você sempre traz o mundo de volta. Aquele mesmo mundo de quando você havia ido da última vez. E parece que nada foi tirado do lugar. Você ainda sabe como me fazer calar: com aquele sorriso e olhar de quem está realmente certo, mesmo não estando, mas me impedindo de falar qualquer coisa para quem sabe questionar. Mas se quiser, não precisa ir. Eu sou capaz de querer cada defeito seu por perto.
E eu sou a pessoa mais vulnerável que existe se você se aproxima de mim, nem que seja do outro lado do mundo, eu ainda sou muito fácil de ser atingida por suas atitudes e palavras. Já dizia meu "mestre": "As pessoas que mais gostamos são as mais fáceis de nos 'destruir'. E elas conseguem te deixar no chão." E se você chega eu perco totalmente o senso crítico, a fala indireta e me entrego por cada palavra que pula da minha boca sem me fazer pensar antes de falar. E se eu não queria deixar nada transparecer eu sou a pessoa mais incolor que existe. Mas isso passa. Passa quando você resolve ficar de vez. Porque ser amigo é muio chato. Ser só amigo é estranhíssimo. Mas eu amo essa situação, ainda assim. Porque ser amigo é tão  importante quanto qualquer coisa. É ainda mais que qualquer coisa. É... Pensando bem, não existe nada de chato nisso. Porque ainda que o mundo caísse, ainda que nada mais existisse e ainda que o mundo acabasse, eu teria um amigo. Imagino que teria. Porque não importa quem você é, nem importa o que você faz. O que conta é o que você sente e o que você me faz ser e quem eu me torno. O que importa é que você lembra do que eu nem esperava ser lembrado por alguém tão esquecido, importa que você sabe minúcias que nem eu mesma sou capaz de decifrar e você sabe, de uma forma irreconhecível, ser o mesmo daquele dia. Embora só eu reconheça. E tem uma coisa maravilhosa que você sempre me traz de volta: meus melhores textos.

Dani Fechine

28 abril 2012

Incógnita

Que sentimento é esse que te tira de foco, que te vira o avesso, que te coloca no ar? Que sentimento tem sintomas de ansiedade, de loucura, de dispersão, de saudade e de querer? Qual o nome da sensação que te faz não querer fazer nada sem o outro? Qual é o sentimento que te faz pensar tanto no "nós" e que te deixa com dúvidas na cabeça sobre o que realmente faz teu coração pulsar quando acorda? Que tipo de emoção é essa que você solta de dentro de você quando um abraço amigo te aperta? Um novo abraço. Que confusão é essa que te faz pensar no futuro (aquele bem distante mesmo), que te faz querer encurtar distâncias, aproximar palavras? Que sentimento é esse que não te controla os dedos, as palavras e o coração?  Que te faz querer o outro por perto nem que seja por uma palavra. Que tipo é esse que te faz arrepender por cada vírgula que escreve com medo de causar uma sensação ruim no outro ou pior, uma percepção errada do que realmente você queria passar? O que é isso? Como "isso" se chama? Será que se inventou um novo sentimento? Ou simplesmente estou me escondendo do que realmente é? Mas, de verdade, que tipo de loucura é essa que te faz desviar a mão da do outro, com medo, realmente, de ser o que você teme que seja? Que sentimento louco é esse que faz o outro ser tudo em um só? Que sensação é essa que te causa medo ao pensar em consequências, que te faz pensar em segredo quando você pensa em revelação, que te faz parar e imaginar se seria sempre assim? Qual é o nome da "coisa" que te faz fazer de tudo uma boa novidade, que te deixa orgulhosa, admirada e ao mesmo tempo te faz perguntas do tipo "como isso pode acontecer?"? O que é isso que te faz achar histórias românticas de livros caseiros a coisa mais linda do mundo e que te faz lê-las com o celular ao lado esperando uma mensagem-resposta? Que sentimento estranho, cabuloso, e quase transparente é esse que te faz escrever um texto dos seus melhores pensando em uma única criatura?

Dani Fechine

25 abril 2012

Antes de te conhecer

Antes de te conhecer eu não sabia o que era sentir saudade. Eu não sabia o que era conhecer alguém e jamais querer machucá-lo. Não sabia o que era desejar um abraço sincero. Antes de te conhecer eu não sabia o que era ser eu mesma, como era rir sem motivo aparente, muito menos que a inocência podia nunca ir embora. Antes de te conhecer eu não entendia porque as pessoas eram sempre tão felizes, porque eu era sempre a "muito chata". Eu não entendia porque tudo as vezes era tão triste. Antes de te conhecer eu não sabia que as coisas podiam mudar, muito menos as pessoas. Eu não entendia porque um sentimento muitas vezes não era recíproco. Eu não sabia o que era 'ser' antes de te conhecer. Eu não sabia o que era uma tarde feliz e inesquecível, não sabia como era bom deitar no ombro de alguém e me sentir num sonho. Não conhecia a sensação de bem estar, tampouco de que tudo estava dando certo. Só que antes de te conhecer eu não aprendi a esquecer. Quando eu te conheci eu não imaginava muita coisa. Mas eu aprendi que se deve dar valor àquilo ou à alguem que também nos dê valor. Eu aprendi, mas nunca evolui a ideia, porque quando eu te conheci tudo fez sentido, e só havia uma coisa na qual eu tivesse de me orgulhar e dar valor. Hoje eu dou o mesmo conselho que me deram há um tempo atrás: dê valor a quem te merece, seja amigo ou amiga, namorado ou namorada, saiba ter nas mãos algo que você nunca vai soltar. Mas nunca consegui entrar com isso na minha vida. Porque antes de te conhecer o mundo era cinza, e depois foi ficando preto e branco, sépia, margenta, até que as cores se aprumaram depois que eu te conheci. Hoje eu vejo o sépia voltar. Aquela cor envelhecida de fotografia do passado. Porque quando eu te conheci, você me fez criar uma memória fotográfica de tudo que vivemos, mesmo as coisas mais banais. Talvez pra eu te fazer recordar de tudo depois. Depois que eu te conheci tudo passou a ter seu nome. Porque se fulano já assistiu àquele filme, eu lembro que também já assisti. Com você. Antes de te conhecer eu não sabia o que era perder alguém e continuar tendo. Não sabia o que era perder e querer de volta e muito menos o que era perder e não querer ver nunca mais. Antes de conhecer você eu não sabia o que era ida e volta, mas nós mesmos nos fizemos aprender com o tempo. Que, sinceramene, era melhor se soubéssemos somente o caminho de ida. Antes de te conhecer eu não sabia o que era sentir vergonha do outro lado da linha, não sabia o que era alguém cantando pra mim com o maior amor do mundo e não sabia porque as coisas tinham que mudar. Até hoje eu não sei. Antes de conhecer eu sabia porque fulano não amava sicrano, eu sabia deduzir cada argumento silencioso de alguém que estivesse em uma situação não correspondida. Mas depois que eu te conheci eu perdi totalmente a reta a ser pontilhada. Eu simplesmente esqueci porque duas pessoas não podem se gostar sem passar por tanta dificuldade. Esqueci e nunca entendi porque os dois não podem se amar ao mesmo tempo. Não ter que um ano ser um e no outro ano ser outro. Até hoje eu me pergunto se haverá um dia, nesse mundo tão pequeno, que iremos sentar na beira da praia e lembrar (rindo muito da situação e agradecendo muito e achando aquilo tudo muita coisa do destino) das várias vezes que nos pegamos brigados, sem olhar nos olhos por muito tempo, e quanto tempo passamos separados, porém a eternidade que também passamos juntos. Iremos lembrar dos conselhos que pedimos um ao outro, dos problemas que tentamos enfrentar juntos, mesmo não estando tão ligado assim um ao outro. Sentaremos ali, lembraremos, sonharemos e acordaremos. Antes de te conhecer tudo fazia sentido. Tudo havia uma lógica e eu sabia como não amar alguém. Depois que te conheci eu aprendi que só se ama alguém assim uma vez na vida. E que esse amor permanece, sem te incomodar, mas o físico vai embora.


Dani Fechine