28 setembro 2011

A felicidade por aqui




Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.


Clarice Lispector

Aqui só existe o bem. Se você me deseja o mal, eu te desejo amor.


Caio Fernando Abreu

27 setembro 2011

Os 5 estágios


E quando você menos espera, vem o choque. É a primeira etapa quando se recebe uma notícia que muda sua vida, que te faz desviar o caminho, andar pra trás com alguém te puxando pro futuro. É a primeira fase de uma vida inteira de experiências. Mudou, você não queria. Mas ele se foi. E sim, você ficou em choque com as palavras finais que foram ditas: "Para o nosso bem, acabou." E vamos deixar de sentir pena um pouco e partamos para a melancolia. 

Agora vem a tristeza. Essa, meu Deus, ninguém consegue pular. O máximo a pedir é ajuda aos universitários e só. O resto é com você. Chore o que tem de chorar, escreva o que tem de escrever, relembre o que tem de relembrar, veja logo aquelas fotos guardadas, leia as cartas das datas comemorativas e chore mais um pouco. Para alguns, a fase é mais longa longa. Para outros ela é eterna. Que gente boba. Ela nunca é pra sempre. Aprendam. Tome quantos 'Rivotril' for necessário, encharque seu travesseiro, deixe a cara de choro ficar visível, porque isso é consequência. Mas agora já chega, acabou. Essa fase ninguém quer pra vida toda, nem por muito tempo. Essa etapa já era. 

A terceira, se brincar, é a mais importante. É a que te encaminha para a melhor etapa. Vem a raiva. Nem todo mundo passa por ela. Vai depender dos acontecimentos posteriores ao término. Às vezes, e em sua maioria, é melhor não enfrentá-la. Porque, vou te contar, mágoa é terrível. E ainda mais de alguém que presenciou os momentos importantes da sua vida. Sim, aqueles que até hoje você se recorda.  Mas se você a teve, vá com fé, porque com ela eu te garanto, você chega nos estágios finais rapidinho. É ruim, mas só no começo. Você chora um pouco, porque sentir isso por alguém que você ama/amou muito é lamentável. Mas você não consegue se controlar, e infelizmente a raiva se mistura ao amor. 

Mas calma, com o tempo ela vai embora. Porque o quarto estágio é a aceitação. Você deve estar pensando: 'Como ela demora pra chegar.' E realmente demora um pouco, até que você percebe que só você mesmo pode se fazer feliz. Mas, com isso, todas as etapas passadas viram pó. Vez em quando bate uma saudadezinha, uma lembrança ali, e tudo fica bem depois. São resquícios de um amor antigo. Isso é normal. Até que você vai começando a ver aquela situação como uma normalidade do dia a dia, você tem o seus amigos, seus amigos têm a você e tudo está assim: bem normal. Você só precisa de mais um tempo, só um pouco mais, pra chegar na 5ª etapa. Essa é a mais difícil, mas atingir o seu começo já é uma vitória. Terminá-la já são outros 500. Mas se nela você chegou, parabéns. 

É a felicidade. O quinto e último estágio só depende de você. Mais ninguém vai te ajudar. Você só precisa se notar. Você precisa ser você, ter você, se apresentar a si mesma. Você precisa perceber que é maior, superior a qualquer escova de dente usada. Por enquanto é muito fácil. Mas ai você vai precisar também querer esquecer o seu passado. É ai que a vida te prega uma peça. 'Mas porque se estava tudo tão fácil?' Ninguém gosta de pensar na hipótese de 'abandonar', só que uma hora isso tem que acontecer. Quando é preciso, você tem que acatar. Mas por enquanto espere um pouco. Vá com calma, ser feliz já basta muito. Ser extremamente feliz também é escolha sua. Não desanime diante do 'abandono', não se deixe chegar até o chão. Estou aqui te mostrando que no final tudo se torna melhor que o começo. Eu vim aqui te apresentar o final do caminho. O final prazeroso do caminho. Eu quis te dizer, com essa infinidade de palavras, que no final tudo dá muito certo. Que no final você aprende mais que 3 anos de convivência. Eu quis te mostrar que é na ameaça de cair que você aprende a se levantar. E é por isso que eu não me canso de dizer: não se perca na metade do caminho, pois no final, eu te garanto, a recompensa é mil vezes melhor que o que você viveu. Eu consegui.


Dani Fechine


18 setembro 2011

Vai ter o que?

Vai ter o que? Se tiver paz eu vou, amor, amor, amor. Se não tiver você eu entro, se você chegar eu fico pra mostrar como eu já não me importo com sua presença. Se tiver sorrisos eu não penso duas vezes "é de que horas mesmo?". Se tiver sinceridade, eu levo a minha também. Levo a ironia, se realmente for necessário. Se tiver abraços eu vou com uma bolsa cheia deles, pra ter aconchego pra cada um, e pra não faltar amor, eu misturo um pouco de amizade dentro deles. Se tiver, nem que seja um pouquinho só, de alegria, eu irei. Todos juntos transforemos as caras tristes que houver em palhaços reais. Olhe, se tiver paciência, eu posso ser a primeira a ser chamada? Se tiver estresse, pode me chamar também. Eu vou na onda. Se tiver carinho, coloca Legião ou Nando Reis pra tocar bem alto, pra entrar no clima da carência. Estou pronta pra ir.Vou logo avisando que se tiver inimizade me retire da listinha de convidados. Quero ambientes vivos pra mim, não quero nada, nadinha, que me coloque no chão. Já estive lá uma vez, e Meu Deus, é um lugar terrível: plano, seco e sem vocês, sem meus anjos. Por isso, deixo a minha sugestão na caixinha: Se tiver inimizade cancele, seja lá o que for que esteja sendo organizado, cancele. Se não tiver compaixão também, nem pense em pensar em convidar alguém. Se tiver sentimentos de raiva, pena, decepção, desprezo, não me chame. Já estou tentando me livrar dos meus. Se não tiver certeza, me esqueça. Já basta eu e minhas dúvidas. Se tiver bobagem pra conversar, eu vou. Que tenha virtude e sabedoria, e eu sei que se tiver vocês, isso não faltará. Se tiver simpatia eu vou, pra pegar um pouquinho pra mim. Se tiver apreço me chame, por favor. "Só porque tenho por 'eles' um apreço imenso." Se tiver inocência, eu vou, se não tiver eu também vou. Se tiver humildade, terei certeza que estarei ao lado de vocês. Mas no final de tudo, o que importa mesmo é que se tiver vocês, todos vocês, eu vou. Vou e terei a certeza de que todos esse sentimentos maravilhosos estarão presentes.

Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz. Se não tiver, a gente inventa. (Caio F.)

Dani Fechine

17 setembro 2011

Nós... Nó... N... Não.

Depois de misturar tanto sentimento em mim de uma só vez, eu pude talvez diferenciar cada um deles. Nenhum tão bom quanto o amor, todos muito piores e ridículos ainda por cima. Foram sentimentos que eu nunca pensei que pudesse descrevê-los e acho que ainda não posso. Nunca pensei que teria esses sentimentos repugnantes logo por você. Eu nunca me imaginei sentindo nojo de você, um nojo incontrolável. Eu nunca pensei que eu pudesse ter vontade de queimar todas as lembranças concretas que você me deixou e de deletar letra por letra que você já me escreveu. Tudo isso por um único motivo: nojo de você e das suas atitudes. Eu perdi a vontade até de olhar na sua cara, infelizmente. Nojo foi a primeira sensação ruim que tive de você depois de quase 3 anos. A segunda foi decepção. Foi te ver ser alguém que nunca passou nem na sua cabeça 'imitar'. Decepcionante te ver se perdendo nesse mundo onde só basta uma simples garota estalar os dedos e você ir correndo. Fiquei altamente decepcionada com as suas atitudes, os seus gestos, as suas falas. Muito decepcionada com suas amizades, com quem você anda e ainda mais decepcionada com quem você está se tornando agora. Abre o olho, amor. Ops, amor não mais. Logo você que sempre dizia querer voltar a ser como antes. Um antes maravilhoso. Olha no que você se tornou. Duas pessoas completamente diferentes. Duas caras distintas cujos caminhos não se cruzam. Dois 'você'. Um que se mostra bom, e outro que se entrega ao mundo. Procura-se ajuda para você. Eu procuro ajuda pra você. O terceiro sentimento que me atingiu ao te ver naquela situação foi desprezo. Não no sentindo de desrespeito a você, mas a mim. Senti desprezo em te ver tão baixo depois de ter subido tanto. Senti em mim quando atingiram em você essa bala de desmoralização. E apesar de ter abaixado tanto a cabeça diante disso tudo, eu me senti superior. Eu me senti maior em relação a moral e a ética que tenho. Eu me senti superior em relação ao respeito que tenho com você. Foi desprezo nos seus mais variados sinônimos. Foi amargura, indignação, desvalorização. Eu vi você inútil naquele momento. Senti coisas dentro de mim que nem a ciência descobriu o nome. Sentimentos ruins, irreconhecíveis. Mas o último, e até mesmo o pior de todos, foi a raiva. Foi a vontade de não te ver nunca mais. Foi o que me fez agir impulsivamente comigo mesma. Foi uma das piores sensações que já senti. Foi o que me fez girar em torno daquela multidão e me ver sozinha a procura de um amigo. E em meio a tantos deles eu me perdi, e acabei chamando pela de infância. Não aguentei, desabei. Foi com o sentimento de ódio que eu abracei meu melhor amigo, chorei, solucei e disse: "Eu não aguento ver isso". E ele, em completo silêncio e como quem não sabia o que fazer, respondeu ao meu abraço e conseguiu com um toque me acalmar. Foi com o ódio que eu tive vontade de tentar te fazer mudar mais uma vez. O amor ainda brilhou por um segundo.
E em meio a tantas sensações em mim, eu só pude chegar a uma única conclusão: Você me fez sentir por você as piores sensações do mundo e em um único momento. Parabéns, você conseguiu me fazer parar de acreditar em nós. Obrigada.


Dani Fechine