09 abril 2011

Sonho?

Essa noite eu tive um sonho. Daqueles que realmente podemos chamar de sonho; daqueles que temos medo de acordar, simplesmente por ter medo de ser um sonho. Dentro desse sonho, eu acordava e para o meu melhor sorriso, eu não estava sonhando. Tudo aquilo realmente estava acontecendo e era muito real. Foi como se eu estivesse vivendo tudo que eu queria pra hoje, pra amanhã e pra sempre. Foi como se um sonho se realizasse. Mas no sonho ele se realizou. Só que dentre essa confusão inteira, esse sonho dentro de um quase sonho, eu acordei. E por mais bobo que pareça, eu chorei. Chorei simplesmente por ter apenas sonhado. Fico pensando se é um sinal para algo que esteja por vir, bom ou ruim, ou se é apenas o fato de pensar tanto. Mas eu nunca quis tanto dormir eternamente, eu nunca quis tanto que tudo fosse verdade e que eu não estivesse dormindo. Porque você não resolve me acordar?

Basta!


02 abril 2011

Relato Pessoal - Prova de redação

Foi um dia à tarde. Um dia qualquer, uma sexta-feira quente e com um clima insuportável. Como de praxe, o cansaço era maior que eu, e do que todos nós juntos. Antes de tudo, eu estudei. Ou melhor, dei uma lida rápida e alta como se já soubesse de quase tudo. Bateu um sono, dormi um pouco. Acordei eram 15:25 e digamos que já estava na hora de sorrir.
Coloquei uma roupa qualquer, um short folgado pra me sentir mais a vontade na hora de ser feliz. Melhorei o hálito, passei uma escova nos cabelos, calcei uns chinelos qualquer, busquei o filme que estava próximo ao DVD e parti para a esquina. Não pense muita besteira. É que a casa da minha amiga fica logo lá, então se eu chego na esquina, chego em sua casa. Deitei em um batente que tem no terraço, e com uma brisa deliciosa batendo no meu rosto, esperei por mais de uma hora os meus amigos que, pelo visto, demoraram para chegar. O primeiro deu o ar de sua graça, e uns minutos depois, chegou o outro, com suas desculpas de sempre por seus atrasos. Isso é tão comum, que agora eu só faço rir de tanto esperar. Não demorou nenhum segundo. Comecei a sorrir por qualquer esteira, por uma borboleta sequer que passava por mim, ou por algum tombo que eu mesmo levasse. Faltou pipoca, fomos comprar. E a cada passo que eu dava, era uma gargalhada diferente e cada vez maior. É a presença amigável ao meu lado que me torna assim. Assim lesa, assim alegre, assim assim. O filme? Um dos melhores e mais engraçados possíveis. Já deve imaginar o quanto eu ri não é mesmo? Exato. Sorri como uma criança ao ganhar um pirulito e como uma boba apaixonada. Sorri. Mas nem tudo dura pra sempre. Morguei. Entristeci. Talvez porque chegava a hora de ficar 'sozinha'. Talvez por que aquele momento estivesse chegando ao fim. Talvez porque eu tenha passado da conta nos sorrisos. Mas não. O problema estava na falta. Na falta de alguém. Na sua falta. Aquele momento, ia sim, ser o mais colorido possível. Mas no futuro eu iria encontrar falhas. Eu iria encontrar riscos em preto em branco. E tudo isso por conta de uma simples ausência. Tão simples que tomou uma complexidade incomparável.
Foi um dia daqueles que a gente rir tanto que fica triste. Foi mais um dia que eu sorri e esqueci de você por umas horas. Foi mais um dia que eu adormeci e vi que faltava alguém muito importante, muito essencial e, de alguma forma, muito insubstituível. E naquele momento eu notei que é verdade quando alguém fala que ao lembrar de momentos inesquecíveis sorriu e chorou. Aquele riso de saudade e aquela lágrima de alguém que não sabe o que fazer. É porque era tão bom que sentimos falta. E saudade sempre vem acompanhada de lágrimas.

Dani Fechine

01 abril 2011

"Do riso fez-se o pranto"

Eu poderia jogar aqui todas as lembranças e memórias que eu nunca quis jogar fora. Como aquele Carnaval diferente, sem blocos ou festas. Como aquele abraço de consolação que eu recebi, quando pra mim foi o mundo caindo nas minhas costas. Eu preciso te dizer tudo que aconteceu nesses últimos dias. Eu preciso te enviar um torpedo assim que o sol nascer e te dizer que o dia amanheceu muito lindo por estarmos tão bem. Eu preciso te dar 'bom dia' e esperar ansiosamente uma resposta, sabendo que quando eu menos imaginar ela irá chegar, ou então nem chegará. Mas eu terei te desejado um ótimo dia. Eu preciso acordar, pelo menos mais uma vez, na segunda-feira com aquela agonia e necessidade de apenas dormir pra ver se a semana passa mais rápido e o teu rosto vir a minha frente. Ultimamente eu ando muito mais agoniada. Eu não sei mais se o final de semana é uma boa opção pra mim. Mas eu preciso, ainda assim, te contar que eu assisti aquele filme que você tanto me falava, e dizer que eu amei. E só por você falar tanto nele eu já gostei um pouco, mesmo antes de vê-lo. Eu preciso te ligar e te dizer que eu nunca vi criança mais linda. Preciso te falar que há vários filmes ótimos em cartaz, e que gente podia ir ver juntos, como naquele Carnaval. Foi a última vez que pus os pés por lá. E sei que lembranças vão despertar quando ali eu voltar. Eu queria te ver mais uma vez, assim triste, assim quieto, assim assim, quando seu time de futebol perder mais uma partida. Não que seja bom te ver dessa forma, mas eu teria mais uma chance de te abraçar novamente e te dizer que foi só uma partida de futebol. E como um cavalheiro eu iria receber um beijo na testa. Sinceramente, isso mexe comigo. Eu gostaria de te falar que eu andei um pouco triste e silenciosa pelos pátios da escola. Pensativa e esperançosa, não posso negar. Preciso te falar que criei desavenças por conta da minha quietação e acabei achando que a culpa não era minha. Andei meio solitária, mas consegui esconder um pouco disso no meu sorriso. Pois é, também ando sorrindo bastante. A minha vizinha da carteira da escola consegue arrancar diversas gargalhadas de mim, e uma tarde de filme com os amigos mais chegados é sempre bom pra fazer a barriga doer de tanto rir, e esquecer por algumas horas o que te inquieta. Mas ai no final você morga, aquieta e sente que algo está faltando nesse momento. É, eu menti. Na verdade está faltando alguém, estava faltando você. E eu sabia desde o começo que aquela seria mais uma lembrança das que se encontra uma falha, um pequeno risco em preto e branco. Sabe o que eu queria te dizer também? Eu não consigo mais acordar de manhã cedo e não procurar aquela mensagem que recebi no meu celular, com aquelas palavras mágicas que mexem com o nosso coração e que, de forma sincera ou não, há uma verdade. E pensar que uma semana antes de eu prever o esperado, eu ouvi essas palavras pela terceira ou quarta vez, e dessa vez acompanhada de um 'chata'. Mas eu amei ouvi aquilo. Foi a última vez que te ouvi com clareza. Uma semana depois eu já não conseguia ouvir com perfeição, tudo desnorteou. Mas sabe que eu ainda lembro de tudo? Na verdade você sempre soube que eu não esqueço de data alguma ou de momento algum. É como se eu fosse um calendário humano, você sabe bem. E eu lembro que daqui a uma semana, por motivos de distância mesmo, nós iriamos nos falar virtualmente através do seu "filho" (aquilo que é conhecido popularmente como 'celular'). Confesso que nesse minuto eu passei a amar aquele aparelho eletrônico que conseguia, por alguns minutos, ser mais importante que eu. Lembro o quanto a gente riu com essas brincadeiras. E só havia uma pessoa, aparentemente, mais feliz que nós. Aquele senhor sentado ao nosso lado na cadeira do cinema, que conseguiu a proeza de rir do começo ao fim do filme.
E hoje só tem uma coisa que eu não consiga recordar: a senha do seu cartão de crédito.

Dani Fechine