19 junho 2012

Identidade


Identidade resume o que você é, o que você faz e como você age.  Quem a constrói é você mesmo. Cada dogma seu, cada conceito que você cria forma a sua identidade. E a mudança que o meio provoca em você também influencia a sua formação. Não ter identidade já se torna uma identidade própria.
              Mas o que é identidade? O que a define? No meu ponto de vista, identidade é a personalidade e o agir das pessoas. Identidade vai ser o que cada pessoa constrói e as fazem ser da forma que são. Identidade é o que você busca pra te acrescentar ou para tornar-se diferente de outras pessoas. E o que a constrói? A nossa identidade é formada a partir de pressupostos de outras identidades. Tomamos várias outras como exemplos e criamos a nossa. Muitas vezes elas se assemelham, mas nunca haverá identidades iguais. Sempre haverá algo que te torna diferente das outras pessoas.
              A maioria das pessoas se forma a partir do que veem. Dessa forma elas se tornam cada vez mais caracterizadas com a sociedade do que consigo mesmo. A questão é se identificar ou não com o meio. Pessoas influenciáveis muito raramente terão uma identidade complexa ou interessante. Pois dessa forma não será criada exclusivamente por elas.
              No meu caso, a identificação com o meio é o que pior me define. Autenticide talvez seja a busca maior dentro do que se diz identidade. Muitas pessoas buscam ser o que os outros irão gostar ou pensar. Eu busco o que me torna diferente das outras. Nem radical demais, nem “sociedade” demais. É o que me convém e o que não convém aos outros. Discordo de tudo que o meio manifesta nas pessoas, e opino por tudo que me torna única. Pra mim identidade já resigna algo único. Só seu. Ninguém nunca conseguirá copiar por igual. Identidade se trata da sua descrição. O que você faz logo te mostrará o que você é. E o que você fala também.
                As pessoas buscam sempre algo que coloque algum sentido em tudo isso. Algumas vão até Deus, outras vão em busca de outras pessoas que as façam se sentir pra cima, outras buscam em palavras, e poucas em si mesmo. A verdade é que tudo isso nunca fará sentido e a busca por tal sempre será inútil. A maior das respostas é encontrar as perguntas. E se construir a partir delas.
               O mundo é daqueles que estão em constante dúvida, mas que têm certeza de cada pergunta.
A gente nunca sabe responder “quem sou eu?” se não nos perguntam ou se não colocam alternativas para nos caracterizar. Nossa identidade é construída a cada passo que damos e a cada palavra que pronunciamos. Estamos em eterna mudança. E nossa identidade é construída a partir delas. Nascemos com um
a, e a cultivamos, a modificamos, assim como também a destruímos, moldamos, pintamos, escrevemos nela, damos o nosso toque especial que a faz ser só nossa.
              Em resumo, identidade é tudo aquilo que você faz pra ser uma pessoa igual ou diferente, mas que de algum modo te faz ter uma “marca” específica. É o que te constrói, edifica e te descreve. Procure-a.

Dani Fechine

11 junho 2012

A tal da experiência única

Seria injusto comigo mesmo se eu não explicasse em palavras tudo que eu sinto. Eu queria ter tido uma força maior e ter falado a cada um tudo que eu sinto e tudo que eu penso. Tudo que vocês me fazem e me fizeram ser. Mas a emoção é sempre maior que eu, e pelo menos dessa vez, ela conseguiu falar um pouco do que eu tento demonstrar. Sim, isso é uma espécie de carta. Porque eu deixei de falar muita coisa que eu precisava, e eu não posso esperar mais nem um minuto pra colocar pra fora tudo isso. É a tal da experiência única.
Éramos sementes. Muitas mal cuidadas, muitas bem pequenas e outras bem visíveis e bonitas. Vocês simplesmente nos acolheram, nos colocaram em terra boa e nos deram as condições mais propícias para crescer, florescer, e gerar frutos. Muitas não aguentaram o sol escaldante, e murcharam antes de saírem do estado de "muda". Outras crescerem em ritmo acelerado, tornando-se cada dia mais vivas e felizes. A maioria passou por diversas condições climáticas que não as favoreciam. As vezes vinha um vendaval e elas tinha que se segurar com muito força para não serem levadas embora. Muitas conseguiram ficar. Mas outras voaram para onde o vento leva as coisas que um dia ainda vão crescer. Mas o mais importante é que todas as sementes que atingiram sua fase mediana conseguiram chegar no término de sua germinação. Cresceram, floresceram e agora vão gerar os frutos. Do mesmo jeito somos nós. Fomos nós. Vocês, animadores, foram os nossos jardineiros. Não teríamos sobrevivido sem o cuidado diário que recebemos.
Esses dias me serviram não só pra relaxar, meditar, pensar e refletir sobre as minhas novas decisões e escolhas. Eu pude, internamente, me redimir de tudo que me fazia mal e que me afastava de coisas boas. Aproximei pessoas de mim que já estavam do meu lado há muito tempo e eu custava muito pra aceitá-las ou entendê-las. Hoje eu percebo que elas são tudo que faltava. Eu pude também aprender com os meus próprios erros. Julgar quem você não conhece por inteiro é um grave acidente. Eu sempre fui assim. E a situação se voltou justamente contra mim. Ouvi depoimentos de pessoas que eu jamais esperava dizer coisas tão bonitas pra mim. Palavras que entram pelo seu ouvido e purificam sua alma. É a coisa mais difícil de explicar; o sentimento que se passou dentro de mim quando eu ouvi algumas pessoas me falarem que me admiram e que gostam muito de mim. Pessoas que pensavam totalmente o oposto antes de me conhecer. E quando as palavras que você escuta são as mesmas que você quer falar é ainda mais mágico. Porque não há nada mais agradável que reciprocidade de boas relações. Se redimir com alguém ou tornar-se amigo é um presente divino nas nossas vidas. Admirar alguém assim como alguém te admira também não tem preço.
Só que nesses momentos de reflexão e de aconselhamento espiritual, a gente também sente muita saudade e de muita coisa e de muita gente. Não seria eu se nada disso tivesse acontecido comigo. A sensação de que falta alguém muito importante é como te tirarem um braço. É ouvir uma simples pessoa cantando uma canção e uma voz de alguém ausente sussurrar em seu ouvido a mesma música. A gente sempre espera ver um amigo que sente muita falta entrar por aquela porta e te fazer uma surpresa. Mas já dizia o filme Toy Story: "Amizade verdadeira não é ser inseparável, mas estar separado e nada mudar." E é justamente isso que eu sinto por você, que está um pouco distante, mas que nunca saiu de perto de mim.
Saudade é um sentimento meio que inexplicável. Ou de várias explicações. Controverso, mas é exatamente assim. Sabe quando acontece algo com você que você jamais esperava e que você sente a necessidade de contar e de compartilhar isso com uma pessoa que pra você seria de imensurável importância fazer parte dessa alegria. Não só isso, mas vários outros momentos marcantes. Aquela vontade que dá de passar um dia inteiro colocando todos os assuntos em dia que foram passando sem ninguém ver, e os acontecimentos de horas atrás que te fazem querer compartilhar. O ruim disso é pensar se vale ou não a pena. E além de falar sobre você, ainda te vem a ideia dos conselhos que sempre em momentos de reflexão te vem a mente o tipo de conversa. É uma saudade que dá pra matar. Mas dá pra se matar também. É uma saudade que te faz doar-se mais ao próximo do que a si mesmo.
E eu jamais poderia esquecer do anjo que vive na minha vida. Acho que Deus o escolheu pra me proteger de tudo que puder me desestruturar emocionalmente e fisicamente. Deus sempre me envia anjos. E eu tenho um, em especial, que apesar de não possuir asas, sempre me leva ao alto quando é do céu calmo que eu preciso. Eu tenho um anjo que sempre que eu olhar pro lado ele vai estar lá pra me abraçar e dizer que tudo vai ficar bem, ou só pra dizer que eu sou linda ou me dá uma bronca e mostra-me o erro, assim como também procurar solução para o mesmo. Eu tenho um anjo que me ajuda a encontrar meus defeitos e a conviver com eles, um anjo que mostra todas as minhas qualidades e que nem que seja em um simples abraço, ele nunca me faltará. Esse tipo de anjo a gente costuma chamar de amigo. Eu tenho dois anjos na minha vida. Dois lindos anjos. Um longe e um bem pertinho de mim. São os meus amigos-anjos-irmãos.
É a tal da experiência única que um texto nunca vai conseguir decifrar, descrever ou representar. Só sei dizer que é incrível como Deus consegue mudar tanta coisa que sempre nos parece impossível.

Dani Fechine

02 junho 2012

Mudando da Rotina - Listen


Como Nossos Pais


Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos

E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não

Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
___
Dá vontade de deixar a música inteira em negrito, porque é uma das mais bonitas pra mim. Não é por falta de texto que tô colocando ela hoje, é mais porque ela descreve muita coisa... Dani Fechine

26 maio 2012

"É como não ver o Sol mas ter certeza que está lá"

Hoje é uma noite daquelas em que algo muito grande brilha por trás de um ofuscamento.  É como se nada conseguisse apagar seu brilho, sua luz e sua chama. Hoje me parece uma daquelas noites em que você se torna a "totalmente  equivocada", uma noite, entre tantas outras, que fez seu brilho se tornar insignificante. Mas assim como a estrela de alguém sempre brilha quando a sua apaga, existe alguém, alguém muito especial (embora você não saiba) que precisa de você pra ter um brilho mais intenso.
Nossa vida é como um eclipse. Dependendo da posição da Lua em relação a Terra, ela brilhará mais amplamente. Quero dizer que nem sempre estaremos expostos em uma prateleira em promoção, daquelas que chamam a atenção de todos. E isso nunca é um privilégio. A promoção acaba, o produto volta ao seu esconderijo e voalá, ninguém lembra mais dele, só os bastante necessitados. Não há ninguém nessa vida que passe por você e permaneça eternamente da mesma forma. Novas pessoas vão chegar, vão mostrar que nem tudo precisa ser "desta forma" e então você também não precisa ser a única; a única amiga, a única namorada, a única confidente. As pessoas passam, a gente cresce. E crescemos com um sonho de nos encontrarmos no futuro, ou de construirmos o mesmo futuro.
Amizade é mesmo uma coisa engraçada. Eles querem te ver bem, te ver pra cima, te ver feliz. Mas nunca melhor que eles. Isso é a essência da humanidade. Não adianta discutir. Mas quem sabe te consola pensar que isso é necessário; você precisa está melhor que o outro para poder ajudá-lo a ficar bem. É ingênuo pensar assim, mas não custa nada ter um pouco de criança feliz dentro de você. Existem os "famosos amigos de verdade" que nós tanto ouvimos falar. Esses são uns 3, no máximo (agradeço por ter muito mais que isso). E eu acredito nisso, eu confio que isso exista. Um só já te faz feliz pra vida inteira, você sabe disso. Mas trate de conhecer logo as pessoas. Não as deixe apagar o pouco de brilho que te resta. Vá com uma figuinha nos dedos e um olho grego no pingente do colar, vai que ajuda né? Você não sabe o que fazer, até que sua única alternativa é tentar conseguir. Na verdade, essa noite é apenas uma daquelas que a Lua brilha por trás da arquitetura, pouco criativa, de edifícios. Você não a enxerga, mas seu brilho nunca deixará de estar lá. 


Dani Fechine

12 maio 2012

Lembro, logo existo

Sabe quando dizem que quando você morre todo o passado passa por você, como uma fita em modo disparado? Pois bem. Consegui trazer tudo de volta, sem pensar em nada, apenas fixando um olhar. Numa simples noite tudo que há muito tempo hibernava, despertou sem ao menos piscar os olhos lentamente. Quando eu vi já era tarde, nada mais fazia sentido de novo. E sim, isso tudo é muito chato, muito estranho e muito seu também. Sim. É muito seu. Porque é só você que consegue tirar o sentido e foco de tudo. É só você que consegue me deixar envergonhada sem nem saber porque, me fazer perder as palavras e a escolha. Bem que você podia aparecer sem causar tanto impacto, tanta sombra em mim. Bem que você poderia entrar por aquela porta e não estrondar tanto o meu coração a ponto de pulsar visivelmente. Ou quem sabe você não deveria remeter o passado com um "você lembra?" porque eu irei lembrar sempre, e um sorriso bobo vai vir ao meu rosto quando eu confirmar a sua pergunta. E não, eu não quero parecer mais uma vez uma ridícula apaixonada. Porque simplesmente basta você sentar na minha frente e não olhar mais para trás, pra quem sabe eu começar a odiar as suas costas de tanto olhar pra elas. Mas logo me apaixonaria pela sua nuca e seu cabelo preto meio bagunçado. É algo um pouco complicado não querer passar a mão na sua cabeça e te fazer um carinho. Porque é meio que automático, só que no modo desligado sabe? Eu acho que você deveria me causar menos. Ser menos você, menos apaixonante e transparente. Você deveria ser menos assim como você é; capaz de causar uma reviravolta, uma viagem ao passado, um vontade de fazer não sei o que, apenas com esse olhar e esse sorriso meio torto de quem sabe tudo que se passa dentro de mim. Você poderia diminuir só um pouquinho esse veneno viciante pra ver se eu conseguiria ser mais eu, quero dizer, sem ter um pedaço tão grande seu colado em mim.  Porque se eu dou um passo a frente eu olho para trás, fingindo não ser nada, mas sabendo que foi só pra ver se você ainda estava ali. E ficar te procurando naquele ambiente, e receber suas mensagens secas e frias que eu não ligo mais por serem assim, e te ver interessado em algo bom, e te ver ali, na mesma linha que a minha, no mesmo objetivo que o meu. Você deveria ser menos eu. Você deveria mudar mais as coisas. Porque sempre que você vai, muita coisa acontece, muita coisa muda, e muita coisa vai embora, mas muita coisa também chega. Só que quando você vem, não importa como, não importa a situação, não importa o momento, você sempre traz o mundo de volta. Aquele mesmo mundo de quando você havia ido da última vez. E parece que nada foi tirado do lugar. Você ainda sabe como me fazer calar: com aquele sorriso e olhar de quem está realmente certo, mesmo não estando, mas me impedindo de falar qualquer coisa para quem sabe questionar. Mas se quiser, não precisa ir. Eu sou capaz de querer cada defeito seu por perto.
E eu sou a pessoa mais vulnerável que existe se você se aproxima de mim, nem que seja do outro lado do mundo, eu ainda sou muito fácil de ser atingida por suas atitudes e palavras. Já dizia meu "mestre": "As pessoas que mais gostamos são as mais fáceis de nos 'destruir'. E elas conseguem te deixar no chão." E se você chega eu perco totalmente o senso crítico, a fala indireta e me entrego por cada palavra que pula da minha boca sem me fazer pensar antes de falar. E se eu não queria deixar nada transparecer eu sou a pessoa mais incolor que existe. Mas isso passa. Passa quando você resolve ficar de vez. Porque ser amigo é muio chato. Ser só amigo é estranhíssimo. Mas eu amo essa situação, ainda assim. Porque ser amigo é tão  importante quanto qualquer coisa. É ainda mais que qualquer coisa. É... Pensando bem, não existe nada de chato nisso. Porque ainda que o mundo caísse, ainda que nada mais existisse e ainda que o mundo acabasse, eu teria um amigo. Imagino que teria. Porque não importa quem você é, nem importa o que você faz. O que conta é o que você sente e o que você me faz ser e quem eu me torno. O que importa é que você lembra do que eu nem esperava ser lembrado por alguém tão esquecido, importa que você sabe minúcias que nem eu mesma sou capaz de decifrar e você sabe, de uma forma irreconhecível, ser o mesmo daquele dia. Embora só eu reconheça. E tem uma coisa maravilhosa que você sempre me traz de volta: meus melhores textos.

Dani Fechine