16 junho 2013

Brasil, mostra a tua cara!

De repente a gente acorda e se depara com um país ao avesso. Um avesso que vem sendo usado há muito tempo e as pessoas se acostumaram tanto a não "avisarem" que aquilo estava errado que a bola de neve foi crescendo. Os protestos e manifestações que circulam nas ruas de São Paulo (não somente em SP, vale lembrar) são a cara amassada de um Brasil pedindo pra acordar. Virou clichê escrever que "não foram os 20 centavos", pelo simples fato de ser uma verdade incontestável. As manifestações não tomariam toda essa repercussão se o problema fosse algumas moedas a mais. Isso é óbvio. O povo acordou! E da mesma forma que as autoridades retrocederam à Ditadura (porque é o que parece), o povo resolveu relembrar os "caras pintadas", por exemplo, e falta pouco pra o motivo ser o mesmo. O que aconteceu foi o estopim. E é por isso que os problemas só aumentam. Os jovens (e todas as outras pessoas normais que vivem, não de forma fácil, em SP) levantaram do sofá, esqueceram o Facebook e foram para as ruas. Foram apenas buscar os seus direitos. Só que parece que o os policiais e quem mais que se acha superior, perderam o bom senso. Perderam a ética, os bons modos. Esqueceram o que significa liberdade. Desonraram suas fardas. Porque violência só atrai violência, e esse é um clichê que a gente escuta desde criança. Não estou acobertando os atos de vandalismos praticados pela minoria (eu imagino). Mas uma própria jornalista afirmou que foram os policiais que iniciaram os "combates". Nós não somos sacos de pancadas, muito menos marginais, vagabundos. Aqueles manifestantes de SP são apenas uma parcela de um Brasil que luta por mudanças. São uma parcela da coragem. Eles, enfim, esqueceram o "jeitinho brasileiro" e seguiram.
Em meio a tudo isso, a gente ainda encontra publicações de pessoas reclamando devido ao trânsito causado pelo cercamento de algumas ruas e avenidas. Mas poucos (ou nenhum) para pra pensar que isso acontece todos os dias, mas que dessa vez não são carros que impedem o andamento dos demais veículos. São pessoas. São cidadãos buscando o real sentido da palavra que os designam. Mas o que passa na TV não é isso. A gente é posto a acreditar no que a tela nos mostra. Mas um Jornal que se coloca como fundo de transmissão um estádio de futebol, um jornal que dá ênfase às mil e umas histórias de jogadores, preparação para jogos e outras banalidades mais, é de se perder a credibilidade na informação. São Paulo sendo destruída (em todos os sentidos) e o resto do país saindo às ruas para comprar uma camisa verde e amarela. É de achar pouco que o Brasil esteja passando por tudo isso em meio a uma copa. É de querer mais que os turistas sintam vergonha e medo de estarem aqui. Não me orgulho disso. Mas é uma forma de pagar todo o descaso do governo para com os cidadãos. O Brasil gastou bilhões com a Copa de Mundo e vai gastar mais bilhões com as Olimpíadas, enquanto o Nordeste está morrendo na seca e seus agricultores devendo as alturas porque não colheram o suficiente, enquanto a vida na cidade de SP é um caos, a violência só cresce, os transportes públicos são tratados com descaso e enquanto todo o Brasil clama por educação, por respeito, dignidade e compromisso. Ainda acredito que a educação é a chave de todas as questões.
Além disso, os manifestantes estão pagando 20 mil reais de fiança para saírem da prisão, enquanto a nossa justiça é a mais falha, onde um crime de homicídio é cumprido em 3 anos, se você for um "menino bonzinho". O governo tem que temer o povo, e parece que realmente estão começando a incorporar o sentido da frase. E com todo esse escarcéu ainda tem prefeito dizendo por aí que não vai diminuir o aumento. Que foi o mínimo que conseguiu devido a inflação. Ainda tem político achando que o problema ainda são os 20 centavos. O problema é que as desgraças no Brasil só aumentam e não, não basta subir no ranking das melhores economias do mundo, não basta aumentar o PIB. O que é necessário é ver o resultado na prática. E isso a gente não vê. O Brasil ainda tem jeito, porque acima de tudo nós somos brasileiros e acreditamos sempre. O povo está se organizando pra pôr ordem nesse país, porque os governantes estão jurando que o Brasil é uma câmara de deputados (e corruptos mais) ao ar livre.

Dani Fechine

28 abril 2013

Auto-ajuda: um clichê na hora certa.


De repente a gente recebe uma peça da vida, mas não sabe onde encaixá-la. Dessa forma são as desaprovações que enfrentamos. Os "nãos" que recebemos, as derrotas pelas quais tantos lutamos para evitar, as decepções, as perdas, as dificuldades. Ganhamos esse brinde e não sabemos como reutilizá-lo. Parece mais fácil chorar ou lamentar. Mas há um propósito. Acredito que há. Dizem que é melhor acreditar.Mas tudo parece não ter uma lado bom. Eleanor Porter, em Pollyanna, escreveu o "jogo do contente", no qual o lado bom da situação sempre era visto e colocado acima do acontecimento ruim. Eu achava incrível a capacidade que Pollyanna tinha de saber jogar. De, apesar de todas as dificuldades da sua vida, ela conseguir analisar e olhar com carinho e sinceridade para o outro lado. O lado que poderia, mesmo que mentalmente, melhorar a sua vida. Pollyanna é um espelho. Mesmo que um personagem fictício, ela é um espelho. Pode parecer hipotético, utópico demais, mas falar sobre a vida nos motiva a acreditar no melhor que ela tem pra nós. Quando ela resolver encher o teu caminho de pedras, pega cada uma delas e construa a estrada mais linda que te leve para frente sempre. Quando uma árvore cair nessa sua estrada, não desanime, não pare e não entristeça. Respire. Respirou? Tudo ficará bem. O que aconteceu lá atrás não condizirá com o seu futuro, se por um acaso você esquecer. Então pule a árvore. E continue. Caminhe. E coloque um sorriso nesse seu rosto marcado, porque uma das mais belas invenções de Deus foi o sorriso. E o olhar. Então sorria com os olhos. E seja sincero consigo mesmo. Se pessoas tentarem te derrubar, seja forte. Mostre que você é melhor do que a arrogância. Melhor que a inveja. E muito  maior que pessoas pequenas de espírito. E cuidado, moça, toda ação requer uma reação. E vice-versa. Não reaja. Siga. Apague as intromissões  Apague os insultos. Silencie. Silencie, levante a cabeça e abstraia. A melhor resposta para os desafortunados é o silêncio. E se a vida ainda quiser te perguntar se você é capaz, prove que sim. Lute por você. Lute por seus objetivos, por suas escolhas. Jamais esqueça a sua felicidade. Tampouco o caminho dela. Jamais esqueça o seu foco. E tenha coragem. Tenha fé. Tenha força. Você é tão capaz de vencer quanto todos que já o fizeram. Basta acreditar em si. Você tem capacidade. Sabe que sim.

Dani Fechine

08 março 2013

Metade completa

Naquele dia, se abraçaram como se fosse o último, riram como se não fosse mais o fazer, brincaram como se aquele momento se eternizasse e se beijaram como se fosse o último beijo de fim de tarde. Naquele dia deixaram de ser um, pra ser meio a meio. Aquele dia marcado na agenda, marcou também o coração (que parou de bater por um instante). Morreram e reavivaram de outra forma. Aquele dia nasceu como um outro qualquer, mas terminou como aquele filme com seu final reflexivo, criativo, inesperado e infiel ao livro. Aquele dia em que se olharam pouco, foi o dia em que se viram mais. Nas palavras. Se traduziram em versos, em risadas e em suspiros de quem já está com saudades do amanhã que (parece) que vai nascer. Naquele dia chuvoso, eles puderam sentir o que tão tarde sentirão. Daquele dia em diante eram metade um, metade o outro. Deixaram de ser a unidade, deixaram de ser os falatórios do dia seguinte, e deixaram de ser o problema carregado em suas próprias costas. Mas deixaram as fotos, as lembranças, as conversas, as mensagens trocadas, as vozes de "boa noite", o pedido de "até logo" e o grito de saudade. Deixaram consigo. Guardaram. E sentem até hoje o último suspiro. Gravaram as frases, as fotos declaratórias e guardaram, inclusive, aquele dia tempestuoso. Naquele fim de tarde deixaram os sonhos se romperem. Foi o dia em que passaram do futuro construído, para um passado bem feito. Passaram do presente atordoado para uma folha em branco, um amanhã estranhamente complicado de se escrever. Deixaram, com toda longevidade existente, as mãos que um dia se cruzaram. Deixaram voar os desejos que um dia puderam esclarecer e sonhar um pouco mais. Foi como empinar uma pipa e deixá-la voar por algum tempo até ficar presa em algum telhado ou poste de iluminação. Foi como abrir a gaiola de uma passarinho e ele não querer voar. A liberdade, pra ele, estava ali dentro, e o amor e o carinho do lado de fora não seriam os mesmos. Impetuosamente deixaram a Lua, com toda sua beleza divina, nascer sozinha na imensidão do mar. Lá na linha do horizonte. Aquela bola laranja e grande. Deixaram surgir sem mais os seguir. Naquele dia tão confuso e assimétrico, continuaram os mesmo de ontem, ainda que com todo amor do mundo.
Naquela noite meio nebulosa, voltaram pra casa como saíram um dia: amigos no papel, amores no coração

Dani Fechine

31 dezembro 2012

Um clichê necessário

Lembro-me bem dos pedidos e promessas pessoais para o ano de 2012. O clichê "paz, amor e esperança", iniciar uma dieta, estudar bastante, passar nos vestibular, ler muitos livros, conhecer novas pessoas e ter as pessoas que eu mais amo ao meu lado. Infelizmente, nem tudo depende só de nós. O que está ao nosso alcance a gente se esforça o máximo pra conseguir. Estudar, emagrecer, ler livros, são coisas 'materiais' que a gente pode ir atrás e conseguir. Mas manter pessoas com você e fazer com que novas amizades se aproximem, não é tarefa fácil se você agir sozinho. Lamentavelmente, poucos dos meus desejos foram atendidos, ou talvez ouvidos. Dei a minha vida pelos livros, estudei como se não houvesse outra chance, me cansei, me afastei de amigos essenciais, e perdi um pouco da vida social. Li algumas frases. Não li os livros que queria, não tive tempo, mas tive os livros. A paz que eu tive foi relativa e momentânea. A esperança eu sempre tive, foi sempre algo meu, eu só pedi um pouco mais. Emagrecer ficou pra 2013, ou seja, engordei bastante. E como se já não estivesse normal demais, o vente levou um anjo. Foi demais pedir para que todos que eu amo permanecessem ao meu lado, talvez. Então Deus levou pra morar com Ele a minha segunda mãe, o meu amor calado, a minha conversa de todos os dias, o riso de todas as noites. Levou-a e desceu para nos confortar. Mandou-me anjos que me fizessem sorrir novamente, ou que simplesmente me entendessem, me acolhessem. Mandou pessoas inacreditáveis, incríveis e absolutamente amáveis. Mas deixou a saudade habitando no meu coração. Deixou a dor das lembranças. E deixou, também, a capacidade de amar. Deus levou para o seu lar uma das pessoas que eu mais amei e amo na minha vida. Levou uma partezinha de mim, da minha rotina, do meu amor e do meu carinho. Levou também um pouco da minha alegria. Mas eu ganhei a coragem novamente. A força de seguir em frente. De me reerguer, porque outras pessoas precisavam muito mais do meu 'ombro' do que eu do delas. Eu levantei. Mas as saudades ainda machucam todos os dias. Devido a um ano tão difícil, eu peço, com todo clichê que há nesse mundo, que 2013 me traga todos, infinitamente todos, os sorrisos que 2012 me roubara, com toda sinceridade e força que há em mim. Que os ventos soprem muito mais leves, mais frescos e na direção correta. Que o sol ilumine sempre a minha manhã, que me faça acreditar todos os dias que é sempre possível ser mais feliz que ontem. Que todas as coisas boas que aconteceram em 2012, se repitam em 2013 de forma ainda melhor. Que eu saiba sempre entrar no caminho certo e que as minhas decisões sempre venham repletas de sabedoria e confiança. Que a mudança não me mude, que o caminho seja lindo, que as saudades sejam felizes e que as lágrimas sejam de alegria. Que em 2014 eu não lamente tanto o 'ano passado'. Que eu possa aproveitar ao máximo todas as oportunidades que aparecem e que eu desfrute com amor todos os novos sabores. E, mesmo sabendo o quão difícil é atender a essa 'súplica', eu peço que todas as pessoas que eu amo e que me fazem ser uma pessoa melhor, estejam comigo novamente no ano que está pra chegar. Que não me deixem e que eu não os deixe novamente. Feliz ano novo, paz e esperança para todos. Muito amor no coração, porque é disso que nós (e mundo) precisamos. Paciência pra esperar e fé para seguir. Que tudo seja sempre melhor que ontem. 

Dani Fechine

14 dezembro 2012

O amor pode dar certo

Amor pode ser a solução. Com tanta hipocrisia e pouco profundidade nesse mundo, amor pode ser a única saída. Olho para os lados e não enxergo nada que me prenda a atenção, além de franzir a testa com um ato de indignação ou de repúdio. Ou até acabar com as minhas expressões, porque até elas, as vezes, se privando ganham mais. Em um mundo de pessoas vazias, qualquer porcentagem de sabedoria é válida. Um mundo onde o 'ter', possuir e 'mostrar' valem muito mais que o 'ser', o agir e o guardar, no mínimo o amor é a única proposta válida. Fomos condicionados e hoje, bonito mesmo, é quem foge do padrão. Bonito é quem sai da conduta rasa imposta pelo mundo e cria a sua própria. É um clichê dos grandes, mas ele nunca fez tanto sentido como agora que escrevo. O tempo hoje parece dar valor aos carros milionárias, a carteira gordinha e a aparência. Isso tudo acrescenta sim, não há dúvida. Mas pra quem tem cabeça boa. Mentes com musiquinhas de elevador estragam ainda mais a luxúria. E mais uma vez, o amor por salvar. Procura-se inteligência, dedicação, discernimento, em um mundo onde a preguiça vem prevalecendo. Se o planeta fosse delimitado por paredes, faltariam espaços para as escoras. E sobraria um lugar definitivamente enorme pra quem sabe ser intuitivo e sábio.
Em um mundo onde as pessoas tanto se fecham para opiniões diferentes, como podemos pensar em mudá-lo? Mudar o mundo é surreal. As ideias e opiniões são diversas e o ser humano é um só ser quando bate de frente com a crítica e a oposição. Nós não podemos mudar o mundo, as pessoas e as coisas, mas o amor pode salvar. A gente não pode, simplesmente, abrir a mente das pessoas, extinguir o preconceito... Mentes abertas nem sempre são tão fáceis, lembre-se disso. Todos nós agarramos os nossos dogmas e condutas e qualquer intervenção é uma nova revolução francesa. Defendemos nossos ideais mas esquecemos de respeitar o do próximo. E, infelizmente, nós não podemos mudar a conduta mundial. Mas o amor pode. Em um mundo tão egoísta e tão mesquinho, não se pode esperar muito das pessoas. Elas sempre têm muito a oferecer mas muito pouco oferecem. Guardam suas dádivas para si e mal usufruem delas. Guardam sua felicidade e dessa forma não conseguem multiplicá-la. 
Nos foi dado, eu sei, o poder de escolha. Mas não podemos, de forma tão simples, optarmos somente por nós. A vida é uma sociedade. E tudo bem que todos nós precisamos estar sozinhos de vez em quando, mas por motivos óbvios e pessoais. Nós precisamos do próximo, querendo ou não. E para implodir com o egoísmo, o amor está aí. Hoje quando acordei eu pensei em desistir, mas o amor me mostrou que com ele a estrada é bem mais harmoniosa. É bom seguir assim.

Dani Fechine