29 dezembro 2011

Novidade pra vocês

Que o blog está com um novo design não é mais novidade. Mas tenho algo que talvez irão gostar. É a Fan Page do blog. Pra quem não sabe, é uma página no Facebook onde vocês [leitores] poderão curtir e ficar por dentro de todas as novas postagens, frases dos textos, e as novidades que poderão vir. Outra novidade é que toda semana terá algo de diferente pra vocês por aqui, algo que saia da rotina. Vai se chamar: Mudando a rotina. Uma anedota, uma crônica, um conto. Algo que saia dessa monotonia do melancólico. Alguns dos textos não serão escritos por mim, o que é ainda melhor, porque divulga a competência de outras pessoas. Então, se você também tiver um bom texto engraçado, divertido, irônico ou qualquer outro que não seja de amor por aí, peço que faça o seguinte: Deixe o texto nos comentários desse post, e avise na Fan Page para que eu venha conferir. O comentário não será publicado, postarei o texto em postagem exclusiva. Irei analisar e postá-lo aqui, uma vez por semana. O primeiro virá no dia 1º de janeiro [NÃO DEIXEM DE VER]. Isso é apenas uma tentativa, se der certo, continuarei com ela. Então, aguardo os textos de vocês. Se eu não receber muitos, ou nenhum, os textos ficam por minha conta mesmo. Beijo enorme e até o próximo post.

Dani Fechine

Infeliz conto de amor

E ela foi embora com a intenção de não mais voltar. Dobrou a esquina ainda pensando em desistir correndo, falando aquelas coisas melosas de filmes de romance, que nenhum mais consegue viver sem o outro. Mas deixou a fantasia de lado e continuou. Não sabia realmente o que tinha feito. Quando uma escolha te machuca é a sua cabeça e o seu coração que sofre. E não voltou atrás. Guerreira ela que conseguiu ser forte o suficiente pra persistir em uma escolha. Ir pra não voltar... Isso é complicado. Ele ficou sentado na calçada, esperando que o caminho até a esquina se alongasse um pouco. Não havia nada mais belo pra ele do que aqueles cabelos longos e pretos se balançando com o vento. E deixou cair uma lágrima. Seus dedos nunca mais sentiriam aquele cabelo, o ombro, a mão. Mais nada. Um para o norte o outro para sul, com a intenção de nunca mais se olharem. Ela por querer aproveitar mais a época dos solteiros. Aliás, bem vindo ao carnaval. E ele por ter sofrido o bastante pra não mais querê-la em sua vida. E assim foi. Cada um do seu lado, vivendo uma vida estranha. Ele resolveu mudar e ser como ela. Não perdia mais festa nenhuma. E nessas horas aparecem mil e um amigos solteiros. “Alô?” “Não importa, vou com vocês.” Aprendeu a beber e entrou naquele padrão da sociedade. Camisa da moda, tênis da moda, cabelo da moda, e claro, não podia faltar o carro com aquele som estrondoso. Seu carnaval foi o melhor de sua vida, segundo ele. Parecia milho em pipoqueira. Ela, como é de se esperar, fez o mesmo. Resolveu mudar e ser como ele. O carnaval? Parecia um milho já pipocado. Ficou em casa, lendo um livro, escrevendo uns textos e chorando as mágoas. Com saudades de alguém que ela escolheu não ter mais. Deixou um para ter vários. Deixou de ser única para ser mais uma. Acabou sentindo falta de ser selecionada. “O quero de volta.” Ela não cansava de repetir a mesma frase com a mesma voz de quem havia chorado a noite inteira. Ele? Nem lembrava mais quem era Rosa, “aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor”. Foi embora, de bar em bar, mulher em mulher, até não ter mais dinheiro pra “solteirar” por aí. Namorar custava menos. Ela, depois do carnaval, enfiou a cara nos estudos pra ver se deixava de querer tanto o que não mais devia. Ele parou quieto. Sua fase de farreiro durou pouco, mas aproveitou bem. O suficiente pra esquecer quem não queria mais lembrar. E o destino se encarregou bem de escrever essa história. Tão bem, mas tão bem, que as linhas foram retas o suficiente para nunca mais se cruzarem. Ela, nunca o esqueceu. Ele, nunca esqueceu o que ela o fez passar. A dor sempre muda de lugar. É como enviá-la de volta ao remetente. Quem a fabricou que tome conta. 


Dani Fechine

27 dezembro 2011

Tempo (escrito para uma aula da saudade)


Paro pra pensar se o tempo realmente é algo que devemos fazer reverencia. É um inimigo e um anjo ao mesmo tempo. Nos ajuda a esquecer o que não queremos mais lembrar, mas ao mesmo tempo nos faz fazer uma viagem no passado voltando para aquilo que fazemos questão de viver novamente. Para nós, o tempo será fundamental. Fundamental não só para lembrar cada momento juntos, cada sufoco, cada agonia e cada sorriso que fizemos questão de compartilhar. Fundamental também para nos fazer aprender a conviver com a saudade, que a cada dia vai apertar um pouco mais. Talvez tenhamos que agradecer por este tão maravilhoso recurso, que nos faz perder a cabeça e ao mesmo tempo colocá-la no lugar.
Indispensável dizer que para nós, a partir de hoje, ele passará cada vez mais rápido. Há pouco tempo estávamos aprendendo a ler, a escrever e estávamos construindo nosso então edifício tão valioso: o passado. E parece que conseguimos fazer isso muito bem. Logo em seguida, aprendemos o que é ter responsabilidade, e os professores não nos tinham mais como filhos. A relação se tornou a mais profissional possível. Aprendemos. Aprendemos com o tempo. E de repente nos vemos aqui. Estamos prestes a dar um passo decisivo nas nossas vidas. Não há mais a relação de professor e filho, ou mesmo professor e aluno. Agora é com você. Somos nós contra todo o mundo. E vamos levar isso adiante muito, mas muito bem. E sabe por quê? Porque o tempo nos ensinou a esperar o momento certo, ele nos ensinou, com muita delicadeza e num ritmo curto, a termos a responsabilidade que merecemos e a conviver com cada dificuldade que insiste em aparecer nos nossos caminhos. Vá lá, se não fosse o tempo, eu nem saberia ao menos escrever esse texto.
Para nós, o tempo passou. Passou tão rápido que nunca imaginávamos estar aqui, todos presentes, como uma despedida, uma boa despedida. O tempo nos ajudou a entender o “adeus” como um “até logo”. Nos mostrou que não há caminho tão difícil que não se possa enfrentar.
Dê tempo ao tempo. Não se prenda na idéia de que ele resolve tudo. Precisamos saber usá-lo ao nosso favor. Precisamos do tempo para saber a falta que cada um vai sentir desse momento, e de anos atrás também. É aquela velha história... O tempo vai passar, os amigos não serão mais os mesmos, os caminhos vão se encurtar, talvez nos esqueçamos, talvez não. Cada um pro seu lado, esperando que um dia, a nossas linhas sejam muito tortas para poderem se cruzar. Com o tempo você vai percebendo que suas derrotas são as vitórias mais saborosas, você começa a usufruir dos momentos com o carinho e alegria de uma criança e analisar com a responsabilidade de um adulto. Com o tempo... Você cresce. E você sente falta de quando queria ser adulto. Com o passar do tempo você aprende direitinho a construir sua estrada para o futuro, para não ser tão incerto quanto é. Mas o tempo vai nos mostrar que somos tolos o bastante por acreditar que um dia conseguimos escrever o futuro. O tempo se encarrega de escrevê-lo para nós. Então, hoje, o tempo faz jus ao seu papel. Nessa noite voltamos no passado pra sentir saudade. E daqui a alguns anos faremos o mesmo a respeito dessa noite maravilhosa. Com o tempo, sentiremos saudades. Com o tempo, aprenderemos a conviver sem os risos nossos de cada dia. Aprenderemos, caminharemos, entenderemos... Com o tempo.

Dani Fechine

26 dezembro 2011

Magia do Natal?

 Tudo começa assim: o natal está chegando, preciso de roupas novas e sapatos também. E as pessoas vão a procura de algo que a satisfaçam, de algo que as deixem mais bonitas, arrumadas e com um ar de comemoração. E por aí vai. Ajeitam os cabelos, fazem a melhor das maquiagens, por que aliás, tem que sair bonita na foto né? Compram das comidas mais caras, as mais variadas possíveis, e no dia da ceia se empanturram para no outro dia reclamarem de uns quilinhos a mais. Compram presentes para todos os parentes, e até pra alguns amigos. E, ah, é só uma lembrancinha. Estouram o cartão de crédito, pintam a casa, colocam as belas luzes no jardim de casa e a tão esperada árvore de natal na sala. E aí chega o dia 24. Não é dia de desejar ainda o "Feliz Natal" mas é dia de comemorar. Comemora algo que muitas dessas pessoas nem sabem. Mas vamos comemorar. Não sei o que. Mas vamos. É assim. O pé da árvore já não cabe nenhum friso, já está muito cheia de caixas e embalagens bonitas de presente. Chega a hora do amigo secreto e todo mundo é "uma pessoa muito especial". Em seguida, todos comem as delicias que a vovó faz, e vão pra casa super satisfeitos, esperando por mais uma festa na próxima semana. E a magia? Vocês encontraram no meio dessas palavras? Não, não. A magia do Natal se perdeu em meio aos presentes, as roupas, as comidas. E não se vê mais o brilho natalino tomando conta da cidade e das pessoas. O consumismo tomou um pouco do seu lugar. Mas afinal, o que é a magia do natal? O que é o tão falado espírito natalino? O que faz as pessoas tanto esperarem por essa data? O que faz todos arrumarem a mesma desculpa: "Mas hoje é Natal..."? Talvez seja o ar que passe uma sensação de felicidade. O que é? As pessoas ficam boazinhas nesta data é? O humor muda, o sorriso contagia um pouco mais? Como é que funciona? Os abraços multiplicam juntamente com as saudades, e o perdão começa a ser palavrinha normal, é isso? Ou será que a magia do natal são pozinhos dourados caindo do céu? Acreditaria mais se fosse assim. Os shoppings lotados, as filas enormes, os assaltos triplicados, os desastres maiores ainda, e ainda a esperança de tudo ser diferente. Que contradição. E agora a preparação é para data do branco. A data da renovação, das mudanças. A data da virada. A data que faz as pessoas pensarem que no outro dia tudo mudou. Em uma noite os problemas mudam, as alegrias mudam, os sorriso mudam, as pessoas mudam? Sério? Que tolice. Em uma semana o ano mudará, as esperanças também não serão mais as mesmas, o exagero permanece, óbvio. A incógnita da magia do natal volta no próximo ano, os brilhos do Réveillon também. O espírito natalino cada vez mais extinto e você com o velho cinismo de sempre concordando com toda mudança do mundo. E o clichê mais mentiroso da "esperança de um mundo melhor" continua. E ninguém move uma palhinha para o "mais mentiroso" sair da jogada.  


Dani Fechine

19 dezembro 2011

Um velho ciclo


Olha só, vou te contar uma coisa, aí você me diz se concorda comigo ou não. Quando parece que tudo vai de vento e poupa, quando a paz resolve voltar, quando o coração até muda de nome, quando o sorriso muda de motivo, quando ele não é mais a razão de nada, quando a presença não te incomoda mais, as coisas resolvem virar de ponta a cabeça mais uma vez. Como um estalo de dedos, tudo muda. Mesmo que por um instante, seu coração não é mais o mesmo, seu sorriso voltou a ser pelo motivo antigo, a dúvida paira e Deus sabe bem a tremedeira que você sentiu. Acho que ninguém nunca vai entender o que é olhar pela janela, ver aquele rosto antigo, duvidar do que ver e olhar mais uma vez pra ter certeza. E quando realmente cai a ficha, as pernas já estão mais bambas do que a corda do circo, o estômago está mais embrulhado do que presente pra criança, e você já não sabe mais como sorrir. Você simplesmente não sabe se sorrir pela surpresa ou se chora pelo trágico momento ser tão conhecido e se tornar tão distante. Você, inevitavelmente, faz com que aquela implicância vire apenas um indago de alguém que não se vê ou se repara a muito tempo. As novidades são as mais profissionais possíveis, pessoais nem pensar. Intimidade nunca mais. Abraço nem frouxo. Pra que? Pra você sentir minha tremedeira? Fiquemos longe, melhor assim. Eu faço minha cara de surpresa daqui e você faz a sua que você sabe fazer muito bem. Aquela de que nada nunca aconteceu. E age com a situação de bons e velhos amigos. Coisa que fomos um dia, e que hoje deixamos o "amigos" de lado e passamos a ser bons velhos, amargurados pelos descasos da tentação. Velhos no coração, no diálogo e no apelido também. Aquele velho "velha" de sempre. É facinho de entender. A questão é que se tornou tão simples pra você que a complexidade se esconde de tudo quando as linhas tortas se cruzam sem querer. Na verdade, sempre por querer. Nunca procuro me topar com alguém que vai me deixar confusa até de falar. Alguém que se olhar nos meus olhos vai me fazer voltar uma vida inteira. Não costumo me torturar tanto. Um pouquinho só, como todo mundo. Evito os encontros desencontrados. Vivo cruzando com eles. Mas deixo esses só para os eventuais retornos. Que de um tempo atrás em diante foi colocado um ponto final. Finalmente a contra-capa foi finalizada. No livro não se escreve mais. Mas aí você vem com aquela cara de sempre de que tá gordinho mas tá bonito e mostra pra que veio. Faz aquela de que tem compromissos, como sempre fez, mesmo sem ter, e vai embora como se mais uma vez nada tivesse acontecido. Aí, como é de se esperar de alguém que nunca soube o que queria, no outro dia ele passa por você e finge que não te vê, que não te conhece e que nunca te beijou. E vai. Vai pra ninguém perceber que ele quer falar com você, mas não pode. Não pode, não deve, não necessita, não precisa. Meia volta ele resolve dar uma passada nesse blog que não é lá essas coisas maravilhosas, e dá de cara com um texto desses. Sente raiva, fala mal até pra quem não deve, e depois de milênios volta novamente, quem sabe pra pedir um favorzinho. Ou talvez alguém viu o texto e mostrou a ele. É, é... A probabilidade da segunda opção é bem maior. Mas o que quero dizer é que isso tudo é um ciclo. Que no final você sempre some mesmo. Sempre muda, sempre vai. E que não me importa mais nenhum pouco as suas infinitas e não verdadeiras intenções. Vai, vai. Continua indo. Mas ver se dessa vez muda o clico. Vá, mas continue lá. Bom te ver, infelizmente


Dani Fechine