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22 novembro 2013

7 maneiras de/para dizer eu te amo

“Eu te amo desse tantão assim.” Exclamou João, com um sorriso gigante no rosto e os braços abertos querendo abraçar o mundo inteiro com suas mãos pequeninas e cheinhas. Com suas maçãs do rosto coradas  e aquele brilho nos olhos que toda criança tem na inocência dos primeiros passos. Foi assim que ele conseguiu expressar todo o carinho e toda a proteção que sente quando se encontra no colo da mãe. Sua casa acolchoada, rendada, com perfume de rosas e um amor incomparável exalando por todos os cômodos. Quando encosta seu rosto no ombro dela. Quando agarra suas pernas fazendo birra de saudade antecipada. Quando alisa seu cabelo, emaranhando suas pequenas mãos nos pretos longos.  

"Saiu do colégio em disparado. Parecia que o mundo inteiro havia desmoronado de repente em sua cabeça. Foi só um “eu te amo” dito na hora errada ou simplesmente à pessoa errada. Uma declaração de adolescente num pátio repleto de alunos fardados, conversando, gritando, berrando aos quatros cantos. 13 anos. E parecia que uma vida de vergonha viria pela frente. “Pedro, eu estou apaixonada por você. Encontre-me no parquinho na hora do intervalo, por favor.” É verdade que um bilhete não é nada convincente. Mas foi a forma que Rita encontrou para explodir um amor que acabava de nascer. Rasteiro, inibido e desconcertante. Morreu de vergonha no parquinho, mas nunca se esqueceu do beijo na bochecha que recebeu. "

“Não dá pra ser feliz longe de você. Não dá pra dobrar a esquina e saber que essa é a última vez que vou olhar pra traz e te procurar acenando do portão. Não dá pra deitar a cabeça no travesseiro e não pensar em você. Não dá pra mudar o rumo das ideias. Dos sentimentos. Dos desejos. Das paixões. Sem você não dá pra acordar feliz. Não dá pra sorrir à toa. É impossível ser feliz sozinho (sem você). O dia amanhã vai amanhecer nublado. E o meu coração já está. Não dá pra acordar sem te amar. Eu te amarei ao dormir e quando abrir os olhos ainda vou te amar.” 

“Você é a paz em pleno meio dia, num trânsito estressante de São Paulo. Eu sou louco por você. 

“Eu te amo. E não falo porque hoje completamos alguns anos de casado. Não falo porque nós temos uma filha linda pra chamar de Helena. Não é porque o dia amanheceu mais bonito, mais sorridente. Muito menos porque é o nosso dia. Eu te amo porque quando você pisca os olhos eu quero viajar nesse mundo de turmalinas. Pelo simples fato de te ver acordando com esse sorriso matinal de quem vai ter o melhor dia do ano (mesmo sendo o pior). Eu te amo, meu bem, porque nada nesse mundo é tão lindo quanto mirar os seus trejeitos de longe e dizer a mim mesmo: estou vivendo com a mulher mais linda do mundo. Eu te amo por você conseguir me amar. Eu te amo e amo envelhecer ao seu lado. 

“Eu odeio você. Odeio esse seu sorriso torto de quem quer impressionar e não sabe como. Odeio esse seu olhar que desvia do meu. Odeio esse seu abraço de urso e essa sensação (perigosa) de proteção que você passa com ele. Odeio também os seus cabelos, o seu andar, a sua fala, a sua voz, a sua nuca, a sua mão pegando na minha, o seu jeito ameaçador a cada 10 segundos de intervalo ao estalar os dedos. Odeio sua camisa vintage, seu chapéu de malandro, seu mocassim azul navy, e o conjunto completo. Odeio odiar você.” 

“Há mil maneiras ridículas de dizer o que você precisa saber. Mas na verdade mesmo, o que todo mundo quer é sentir. Sentir a sinceridade, a gratidão, o apreço, a paz, o carinho, a amizade, o companheirismo, a união, a vontade, o desejo. Todo mundo, no fundo do coração, precisa mesmo é sentir amor. E não há que ser declarado, publicado, escancarado. Há de ser verdadeiro. Com todo clichê e franqueza que há nesse mundo: Eu sinto amor por você. Eu te amo.” 

Dani Fechine

21 outubro 2013

Tão exato como 1+1 = 1

"Olha, moço, eu estou aqui na tua casa mas resolvi ainda não tocar a campainha. O tempo ta fechado, o vento ta frio e eu esqueci o casaco, porque a pressa em te ver já estava grande demais. Eu não sei como cheguei até aqui. Fui andando. E como num livro que eu li posso te dizer que "tenho dirigido em direção a você o tempo todo, querendo apenas um coisa: nosso reencontro". Só que estou a pé. Calço o tênis branco meio sujo, meio gasto que você gosta. Até o momento já ergui a mão duas vezes em uma simples tentativa de bater na tua porta. Já abri a boca umas cinco pra gritar seu some ou até um 'sou eu', mas nenhuma palavra foi dita. Não consigo. Já passaram duas senhoras apressadas pra não pegar a chuva, agarradas em seus cachecóis. O vizinho da frente já acendeu a luz da varanda umas duas vezes, no mínimo, e ficou me olhando pela janela como se eu fosse uma estranha esperando o momento certo para invadir a casa de um homem que é ridiculamente apaixonante e permanece estupidamente sóbrio para entender qualquer coisa que envolva 'amor' e 'nós dois'.

Eu não sei se você está aí dentro. Ouço, lá no fundo, aquela sua música favorita tocar, mas como ela é trilha sonora da sua casa, da sua vida, fico na dúvida se sua presença está ausente ou não. Parece-me ridículo te visitar sem data e hora marcada, numa terça-feira a noite prestes a cair uma tempestade. Pergunte-me como voltarei pra casa e não saberei responder porque isso é o que menos me importa agora. Dizer que eu te amo ainda é o maior desafio do dia de hoje. Desisti realmente de olhar no seu olho. Esse seu olhar de não-quero-entender-nada-disso-porque-é-mais-fácil me faz querer sentar no primeiro degrau da sua varanda e escrever-te o que minha boca deveria falar-te.

Então, Dex. Como vai? Eu poderia começar com 'eu' e terminar com 'amo', mas não quero ir direto ao assunto, então não vou começar por aí. Eu imagino a sua cara de não-quero-ler-isso ao pegar o envelope que passei por debaixo da porta. Vejo seu desinteresse de longe. Daqui de fora. Mas por favor, se já chegou até aqui, continue. Se não rasgou, já é um bom começo.

Você pode ser bem melhor do que já é. Esse seu jeito desconectado de mim não faz bem. Pra mim e pra você. Eu poderia no momento estar em casa ou em alguma festa indie, com alguns amigos ou simplesmente com algum amigo. Mas vim bater na sua porta. E você deve estar se perguntando porque. Eu vim aqui esperando não te ver sorrir. Com esse puxar de olhos e esses dentes brancos que brilham em sua boca, as coisas ficariam bem mais difíceis. Você não me chama nenhum pouco a atenção, Dex. Mas sua voz já me deixa impossibilitada de qualquer reação normal. Não é justo você causar espasmos nas pessoas sem ao menos ter a intenção de amá-las por no mínimo um mês. Afinal, não é justo amá-las por um mês.

Eu faço uma promessa todas as noites e a quebro pela manhã. "Não o procure". E acordo esperando um bip seu no celular. Você me faz quebrar promessas. Caia na real, Dex. Você também tem quebrado a sua maior promessa: ser feliz. E eu não posso reatá-la. Não até você querer. Dia desses, nessas terças-feiras ociosas, você passou por mim numa pressa quase impossível de te ver. Você parecia correr em busca de algo muito bom, embora seu rosto não fosse o mais feliz que eu já avistei. Mas você passou por mim e nem notou meu cheiro, não reparou no vermelho dos meus cabelos nem no tênis branco que eu achei que gostasse. Você não estava com pressa de mim. Nem de felicidade. Porque você dobrou a esquina e me deixou sentada na cafeteria ao lado. Assim como eu, você dirige em busca de alguma coisa que nem você mesmo sabe o que. Estaciona, vai. Estaciona e desce desse carro. Toma um ar, aspira coisas boas. Vai a pé também. Quem sabe a gente não se encontra no meio da estrada. Numa curva qualquer. Num cruzamento. Quem sabe.

Se meu coração palpita. Se minha barriga dá sinal de existência. Se minhas pernas tremem. Se as lágrimas escorrem. Se o sorriso é instantâneo. E se? Eu ainda nem sei a junção dessas loucuras. Essas exatidões não batem. Elas correm, se escondem. Mas não fecham como uma conta de mais. Estou tentando explicar algo que por mais clichê que pareça, não há explicação. Descrição. Adjetivação. Não há sinônimos, pronomes, substantivos nem vírgulas. O que quero te dizer, Dex, é tão exato quanto a sua pressa em passar por mim, quanto a minha lentidão em ficar. Sabe o que mais, Dex?"

E então, num súbito olhar para trás, observo lentamente você abrir a porta, fechá-la com delicadeza, sentar-se ao meu lado e me oferecer não só um casaco mas também uma xícara de chocolate quente, acrescentando com um sorriso completamente insinuoso e querendo concordar com cada linha que eu havia escrito (mesmo sem nada ter lido):
- Não sei quanto tempo passará aqui, sentada, então resolvi te trazer algumas coisas que te façam demorar mais um pouco. - Eu poderia sequer piscar os olhos. Mas em um só lance, fechei meu bloco de anotações, e soltei em uma frase tudo que tentei escrever até agora:
- Esta noite eu estou querendo dizer que eu te amo. O que você acha?
- Que lá dentro está bem mais quente. E que eu esperei até este momento pra dizer: "Eu também amo você."

Dani Fechine