29 janeiro 2012

"Jogado aos seus pés, eu sou mesmo exagerado."

A expectativa era de uma noite tranquila ao som de Frejat, a praia lotada, e os amigos reunidos. Uma playlist conhecida e apreciada, uma cantoria solta. A intenção era de uma noite bastante agradável, espantando os males com minha voz. Pedi a Deus um pouco de malandragem e um amor que fosse bom pra mim. Ouvi Bete Balanço querendo realmente ouvir a voz de Bruno Gouveia [vocalista do Biquini Cavadão]. Chorei, com saudades antecipadas de um melhor amigo que vai embora, ao ouvir a voz linda de Frejat cantando Mais Uma Vez. E a cada intervalo de música não me cansava de gritar: BIQUINI, BIQUINI, BIQUINI. Pra quem não sabe, haveria um show deles na mesma noite, e por alguns problemas o show foi cancelado. A minha frustração e decepção foi tamanha. Esperava por esse show a meses, e ele não podia ser cancelado assim, da noite pro dia. Chorei e me conformei. Mas não com a ideia de não mais terminar minha férias ao som dos meus ídolos. E durante o show de Frejat, brincávamos, chamando o Biquini Cavadão. Era uma forma de lamentar a ausência deles por aqui. E por aí foi. Sabíamos quase todas as músicas, nos esbaldamos no show. Já estava tudo em perfeito estado. Parecia não ter mais como ficar melhor. Até que é apresentada a última música, a saideira, como dizem. E assim, com essas palavras Frejat comunica: "Irei chamar agora ao palco, um grande amigo meu, para fazer parte dessa última música... blá blá blá." E começamos a brincar, dizendo que quem subiria ao palco seria Bruno Gouveia. A brincadeira virou realidade. O vocalista da minha banda favorita, a qual o show havia sido cancelado, subiu ao palco com toda fervura de show espetacular. E eu não pude acreditar. Não sei se foi realmente 'exagerado', mas foi bastante digno. Minha reação foi não ter reação, ou quem sabe ter reação até demais. Simplesmente chorei. Conheci o choro de alegria, de satisfação, de surpresa. Consegui encaixar numa lágrima só milhões de bons sentimentos. E esqueci todos a minha volta. Perdão. Mas não havia mais ninguém ao meu lado. Era apenas eu me esgoelando por não acreditar no que via.  A música era Exagerado, que possui um arranjo magnífico quando feita por Bruno. Eu realmente cantei exageradamente louca, apaixonada e agradecida. E quando o show acabou eu já não cabia mais em mim. Eu não sabia se acreditava e abria os olhos, ou se continuava sonhando. Só senti uma mão me puxando pra longe dalí. Precisávamos ver os caras. Era uma chance única. E fomos. Esperamos cada minutos com uma ansiedade singular. Fizemos o que pudemos. E ai me aparece o baixista do Biquini. Havia alegria escorrendo por todos os lugares. Ela não cabia mais dentro de mim. Eu suava felicidade. Fomos as primeiras a atacá-lo com uma câmera na mão. E impossível não agradecer de joelhos por tudo que o melhor amigo do mundo fez por nós. E o show, passou de 'muito bom' para maravilhoso. Guardarei apenas duas garantias deste dia: a foto ao lado, e a sensação de surpresa misturada com alegria e gratidão ao ver ele subir no palco. Muitos não entenderão, muitos julgarão banalidade, muitos rirão desse texto. E poucos realmente compreenderão o significado disso tudo. Eu conheci a perfeição.
Sabe quando te perguntam: Qual foi o dia mais feliz da sua vida, ou o melhor dia da sua vida? Você nem sempre sabe responder. Pensa e repensa todos os acontecimento e chega ao ponto de não ter tido, ainda, o melhor dia da sua vida. E eu posso afirmar com todas as letras, que o dia 28 de janeiro de 2012 foi, de longe, o dia mais feliz da minha vida. Agora eu terei uma resposta  e será, sem dúvida, a mais bonita.


Dani Fechine

"Sábado, na casa de Eliza..."

Muito fácil falar de uma comemoração de um amigo ou qualquer outra pessoa. Difícil mesmo é falar de uma comemoração que te mata de todas as formas. De alegria e principalmente de saudade. Difícil mesmo é descrever o momento de estar o lado de uma pessoa que você vê muito pouco, mas confia demais, uma pessoa que você pouco abraça, mas que nunca sai do seu lado. É muito difícil falar de alguém que você conhece a anos, que você não vê todos os dias, mas mesmo assim a ligação nunca se quebra. Eu acho que pude matar as saudades de uma vida inteira em apenas um sábado. É no mínimo estranho passar o dia com você. Muito menos quando se comemora algo de tamanha importância. A passagem de uma nova fase. É muito bom estar ao seu lado, amiga. É tão bom, mas tão bom, que mesmo você quase não parando quieta, rodando aquelas mesas feito um peão, eu já estava satisfeita. E o que é melhor ainda é te ver ser a pessoa mais feliz do mundo, com aquele band-aid  na sobrancelha, virando a taça de champagne mesmo sem querer, mas pra agradar. É muito difícil descrever como é bom te ver assim e estar com você assim. Ter uma amizade, realmente, é pra ser fera. E não há ninguém com o maior poder do mundo que nos separe e nos desuna. Porque eu confio plenamente em casa palavra sua e cada gesto seu. Eu sei que quando eu precisar eu vou te ter ao meu lado, e quando você cair eu vou te levantar. Costumam chamar isso de cumplicidade. Eu chamo de ser fera. Sábado, na casa de Eliza, eu pude perceber uma amizade que nunca vou querer acabar ou deixar passar. Eu pude provar pra mim mesma que amigo é um tesouro pra se guardar realmente a sete chaves, e sempre proteger, cuidar e alimentar. Sábado na casa de Eliza, eu prendi o choro de saudade. Eu senti realmente a hora da partida de chegar. E da mesma forma que é difícil descrever a sensação do "até logo", foi difícil pronunciá-lo. É a hora que a garganta fecha, e o que não sai pela boca, escorre pelos olhos. Eu só sei dizer que já estou com saudades de você, Fera. 


Dani Fechine

27 janeiro 2012

Entre o coração e a razão, escolho a dúvida

Vou contar-lhes uma história verídica. Tão verídica quanto os contos de fadas e os monstros do seu armário. Venho falar de uma relação destroçada, que basta respirar e ela já existe. A relação mais desarmoniosa que possa parecer. Os dois não se batem de jeito nenhum. Um diz uma coisa, o outro já pensa completamente diferente. Se um quer o outro desiste. Se um se quebra em pedacinhos o outro vira as costas. É uma relação que o orgulho vence. E ou é um ou é outro. Nunca em conjunto, nunca um consenso. É duro, é bastante duro conviver com esses dois. Porque se um se derrete todo, o outro está mais firme que uma rocha. Enquanto um está pensando, o outro já decidiu. Enquanto um manda soltar, voar, dar os passos por si só, o outro já manda prender, acorrentar, nunca, nunquinha deixar ir embora. Há quem acredite que eles nunca darão certo. E eu concordo plenamente. Cérebro e coração jamais se arranjarão. A diferença já está na posição. Enquanto um está no topo, o outro ainda tem dúvida se fica do lado esquerdo do peito ou se sai pela boca. Há quem diga que é muito menos perigoso ter razão... Ou que é muito mais sincero seguir os sentimentos. Há quem siga seu caminho pelas batidas do coração, como também existem aquelas que preferem a exatidão do cérebro, da razão. Para este último, qualquer passo em falso é culpa do coração. Colocou uma pitadinha sequer de sensibilidade e foi-se tudo por água abaixo. O cérebro é mais rígido do que você pensa. E mais orgulhoso do que você. Muito fácil agir por impulso, muito fácil optar pelo que te faz tremer mais ou pelo que já te fez chorar. Sim, porque quanto mais você chora por algo ou alguém mais o coração faz questão de querê-lo. Já o cérebro não, ele raciocina perfeitamente, milimetricamente, não deixa rastros nem dúvidas. Ele sabe o ponto exato onde chegar e sabe acertar. Ta aí a explicação para um simples descaso do ser humano com o cérebro. Nunca gostamos do que nos leva exatamente ao lugar certo. Na verdade, nunca gostamos do que é fácil e do que é mais sensato. O perigo nos atraí. Isso é um fato impossível de discutir. O caminho que o coração faz é bem maior, doloroso, aventureiro e muito sensível. Mas ele sempre chega ao mesmo denominador que o cérebro atinge sem ultrapassar tantas barreiras. O problema está aí... São tantos pulos que você precisa dar quando segue seu coração, que as vezes você não chega ao final. O cansaço toma conta por completo. Dizem que cansaço não significa desistência. Muitas pessoas continuam tentando, mesmo cansados. Não é a coisa mais fácil do mundo seguir o coração. Pra isso, é preciso ter amor. Não é a coisa mais difícil do mundo seguir a razão, é preciso confiar. Não é porque amor e confiança andam juntos que o coração e o cérebro sejam irmãos. Contraditório, eu sei.

Dani Fechine

26 janeiro 2012

"Mas em seu coração trazem o dom de amar..."


Venho comunicar-lhes o que é uma amizade. Talvez um sentimento que muitos alegam sentir, existir, e poucos realmente colocam em prática. Um sentimento comum, pode-se dizer. Um sentimento pouco sincero por aí. Venho dar uma aula sobre amizade. Sem prepotência alguma, eu realmente sei o que é isso. Eu realmente sei o que é receber uma surpresa e chorar de emoção porque simplesmente você tem pessoas que se importam com você apesar de tudo que você é. Sei o que é chorar de saudades porque um dos seus amigos mais importantes e estimados vai simplesmente embora, sem data e hora marcada pra voltar. Sei o que é dar um adeus pra alguém que mesmo morando na mesma cidade parece que partiu sem volta. Sei exatamente o que é sentir saudade de alguém que você nunca viu, mas ouviu como nunca, alguém que do outro lado do país te passa uma confiança indescritível. Sei exatamente o que é sentir falta de alguém que em um simples ano conseguiu registrar toda uma amizade, mas foi embora. Só restam-me visitar. Quando puder.
Quero dizer a vocês o que realmente é uma amizade. Não é só sentir saudade. Isso é muito fácil. Ter uma amizade é muito mais do que está ao lado, muito mais que ser vizinhos. Ser amigo não é pra todo mundo. É preciso amar demais. É preciso ser forte demais. Ter uma amizade é dar o seu ombro quando na verdade quem precisa de um consolo é você. É simplesmente se preocupar, sentir o coração apertar. É não saber o que fazer com o problema do outro, é não ter como ajudar, mas nunca sair dali. Sempre presente, sempre firme. Ser amigo é dar valor a cada sorriso que é recebido. É pedir um abraço apertado de presente de aniversário. Porque nada te mata mais de saudade do que um abraço arroxado. Ser amigo de verdade é um dom. Eu posso te afirmar. É simplesmente ter palavra de conforto, é amar na distância, é sentir saudade e realmente telefonar, visitar. É chorar e sentir uma mão impedindo das lágrimas caírem. É chorar junto também. Ser amigo é uma responsabilidade gigantesca. É estar presente quando o mundo inteiro resolve virar as costas. É sentar ao lado e dizer que tudo ficará bem, mesmo não ficando. Mas é confortando que as coisas se ajeitam. Ser amigo é muito mais do que receber. É doar-se sem pensar na recompensa, é dar um passo sem pensar no tamanho dele. É estender a mão sem saber se alguém irá segurá-la. Ser amigo é tentar acima de tudo. É ser sincero com os fatos, é bater na cara pro outro acordar pra vida. Afinal, com exceção de 2 ou 3 pessoas, você é a única que sabe o bom pra ela. Os amigos sempre têm razão. Pare e pense quantos conselhos você recebeu, quantos você seguiu e quantas vezes você disse: "Bem que fulano tinha dito". Ser amigo não é ser um caderninho de segredos. É estar ao lado mesmo do outro lado do mundo.

Dani Fechine


(Falando nisso...)

Anjos

Pimentas do Reino

Há momentos em que a solidão aperta
E a tristeza quer se instalar
Então clamamos o socorro do Deus vivo
Ele nos manda anjos pra nos animar
Não têm asas e não podem voar
Mas em seu coração trazem o dom de amar

Preciso da sua amizade
Da sinceridade do teu carinho
Eu sei, pode não parecer com meu jeito de ser
Mas você é muito especial

É tão bom ter alguém pra te ouvir
É tão bom ter alguém que se interesse
Saiba te entender
É tão bom me sentir a vontade pra dizer a verdade
Ser aceito como eu sou

25 janeiro 2012

Psicologia confusa

O desconhecido parece habitar cada vez mais. O sentimento, a reação, a procura, a falta, o sorriso, a necessidade. Cada um se mostra mais novato ainda em suas aparições. É algo muito estranho, muito difícil de presumir ou de afirmar. Dizem que quando a gente sofre uma vez a gente leva um pouco disso pra nossa vida. No começo, batemos o pé e afirmamos ser mentira. Mas quando isso vem em cena, não existe verdade maior.  A gente traz o medo de tudo se repetir. É isso que vem na mochila. E não pensem que ele é generoso conosco. Mas passado foi feito pra ser lembrado, nunca torturado, nunca arrependido. Foi feito pra saber usar, usar bem. Passado não foi feito para ser refeito, reescrito, repensado. Passado foi feito pra errar, aprender e ensinar. Passado não foi feito pra chorar. Estou aprendendo a reciclá-lo.
Dizem que só se fica boba uma vez. Assim de tremer as pernas, esfriar as mãos, de embrulhar a barriga. Dizem que só se fica assim pela primeira vez. Você deve está pensando: "Quantas primeiras vezes vão existir então?" Você vai sentir sintomas de 'bobice' sempre que sua ansiedade falar mais alto que você. São sintomas de uma embriaguez. Embriaguez de paixão. Amor não tem nada a ver com isso. É só a boa sensação de esperar um boa noite, um abraço e nada mais. É só o medo de nada mais dar certo. É ai que volta o passado. Medo de dizer o que sente, e o outro não se importar. Medo de dizer o que sente, e você mesmo não se importar. Medo de dizer o que sente, e você se enganar. Solução? Apaga por uns tempos o passado, o que foi bom mas não existe mais. Finge que a caixa foi queimada, que mensagens nunca foram recebidas, e que um 'eu te amo' nunca foi dito. Finge que nada existiu. Que o abraço pode ser apertado de novo, que o sorriso de outra pessoa pode ser o mais bonito, que a sinceridade possa existir agora. Sei lá. Finge ser real. Finge acreditar em tudo. Mas finge bem. Acredite na farsa. Chega uma hora que ela vira realidade. Triste realidade de que tudo não passou de um filme. Um bom filme. E tanto faz se enganar ou acontecer de verdade, tudo sempre acaba mal no final.
É isso que acontece com todo o medo que você coloca na jogada. Parece que tudo vai ser igual sempre. Ficou confusa? Muito fácil. Leia e perceba o que o medo e o 'passado magoado' faz com você. Tudo que você precisa é voltar a acreditar em si mesmo. Porque tudo isso é fruto de um coração partido mal remendado. Mal remendado por você. Levanta da cadeira, faz uma ligação. Chama pra sentar ao teu lado quem você deixou passar algumas vezes. Pede um beijo, um abraço, um consolo por qualquer coisa que te fez chorar. Por qualquer besteira. Manda uma mensagem, pede um cafuné. Faz uma visita e pede pra alguém te fazer feliz como ninguém jamais fez. Pede pra que tudo seja verdade, que tudo seja bom como nunca foi realmente. Pede pra ser feliz sem marcar no relógio. E com toda sinceridade que existe no seu olhar e no seu sorriso, pede por favor, um amor melhor, maior. Pede, sem vergonha nenhuma, uma caixa nova.


Dani Fechine