Dani Fechine
28 abril 2013
Auto-ajuda: um clichê na hora certa.
Dani Fechine
08 março 2013
Metade completa
Naquele dia, se abraçaram como se fosse o último, riram como se não fosse mais o fazer, brincaram como se aquele momento se eternizasse e se beijaram como se fosse o último beijo de fim de tarde. Naquele dia deixaram de ser um, pra ser meio a meio. Aquele dia marcado na agenda, marcou também o coração (que parou de bater por um instante). Morreram e reavivaram de outra forma. Aquele dia nasceu como um outro qualquer, mas terminou como aquele filme com seu final reflexivo, criativo, inesperado e infiel ao livro. Aquele dia em que se olharam pouco, foi o dia em que se viram mais. Nas palavras. Se traduziram em versos, em risadas e em suspiros de quem já está com saudades do amanhã que (parece) que vai nascer. Naquele dia chuvoso, eles puderam sentir o que tão tarde sentirão. Daquele dia em diante eram metade um, metade o outro. Deixaram de ser a unidade, deixaram de ser os falatórios do dia seguinte, e deixaram de ser o problema carregado em suas próprias costas. Mas deixaram as fotos, as lembranças, as conversas, as mensagens trocadas, as vozes de "boa noite", o pedido de "até logo" e o grito de saudade. Deixaram consigo. Guardaram. E sentem até hoje o último suspiro. Gravaram as frases, as fotos declaratórias e guardaram, inclusive, aquele dia tempestuoso. Naquele fim de tarde deixaram os sonhos se romperem. Foi o dia em que passaram do futuro construído, para um passado bem feito. Passaram do presente atordoado para uma folha em branco, um amanhã estranhamente complicado de se escrever. Deixaram, com toda longevidade existente, as mãos que um dia se cruzaram. Deixaram voar os desejos que um dia puderam esclarecer e sonhar um pouco mais. Foi como empinar uma pipa e deixá-la voar por algum tempo até ficar presa em algum telhado ou poste de iluminação. Foi como abrir a gaiola de uma passarinho e ele não querer voar. A liberdade, pra ele, estava ali dentro, e o amor e o carinho do lado de fora não seriam os mesmos. Impetuosamente deixaram a Lua, com toda sua beleza divina, nascer sozinha na imensidão do mar. Lá na linha do horizonte. Aquela bola laranja e grande. Deixaram surgir sem mais os seguir. Naquele dia tão confuso e assimétrico, continuaram os mesmo de ontem, ainda que com todo amor do mundo.
Naquela noite meio nebulosa, voltaram pra casa como saíram um dia: amigos no papel, amores no coração
Dani Fechine
Naquela noite meio nebulosa, voltaram pra casa como saíram um dia: amigos no papel, amores no coração
Dani Fechine
31 dezembro 2012
Um clichê necessário
Lembro-me bem dos pedidos e promessas pessoais para o ano de 2012. O clichê "paz, amor e esperança", iniciar uma dieta, estudar bastante, passar nos vestibular, ler muitos livros, conhecer novas pessoas e ter as pessoas que eu mais amo ao meu lado. Infelizmente, nem tudo depende só de nós. O que está ao nosso alcance a gente se esforça o máximo pra conseguir. Estudar, emagrecer, ler livros, são coisas 'materiais' que a gente pode ir atrás e conseguir. Mas manter pessoas com você e fazer com que novas amizades se aproximem, não é tarefa fácil se você agir sozinho. Lamentavelmente, poucos dos meus desejos foram atendidos, ou talvez ouvidos. Dei a minha vida pelos livros, estudei como se não houvesse outra chance, me cansei, me afastei de amigos essenciais, e perdi um pouco da vida social. Li algumas frases. Não li os livros que queria, não tive tempo, mas tive os livros. A paz que eu tive foi relativa e momentânea. A esperança eu sempre tive, foi sempre algo meu, eu só pedi um pouco mais. Emagrecer ficou pra 2013, ou seja, engordei bastante. E como se já não estivesse normal demais, o vente levou um anjo. Foi demais pedir para que todos que eu amo permanecessem ao meu lado, talvez. Então Deus levou pra morar com Ele a minha segunda mãe, o meu amor calado, a minha conversa de todos os dias, o riso de todas as noites. Levou-a e desceu para nos confortar. Mandou-me anjos que me fizessem sorrir novamente, ou que simplesmente me entendessem, me acolhessem. Mandou pessoas inacreditáveis, incríveis e absolutamente amáveis. Mas deixou a saudade habitando no meu coração. Deixou a dor das lembranças. E deixou, também, a capacidade de amar. Deus levou para o seu lar uma das pessoas que eu mais amei e amo na minha vida. Levou uma partezinha de mim, da minha rotina, do meu amor e do meu carinho. Levou também um pouco da minha alegria. Mas eu ganhei a coragem novamente. A força de seguir em frente. De me reerguer, porque outras pessoas precisavam muito mais do meu 'ombro' do que eu do delas. Eu levantei. Mas as saudades ainda machucam todos os dias. Devido a um ano tão difícil, eu peço, com todo clichê que há nesse mundo, que 2013 me traga todos, infinitamente todos, os sorrisos que 2012 me roubara, com toda sinceridade e força que há em mim. Que os ventos soprem muito mais leves, mais frescos e na direção correta. Que o sol ilumine sempre a minha manhã, que me faça acreditar todos os dias que é sempre possível ser mais feliz que ontem. Que todas as coisas boas que aconteceram em 2012, se repitam em 2013 de forma ainda melhor. Que eu saiba sempre entrar no caminho certo e que as minhas decisões sempre venham repletas de sabedoria e confiança. Que a mudança não me mude, que o caminho seja lindo, que as saudades sejam felizes e que as lágrimas sejam de alegria. Que em 2014 eu não lamente tanto o 'ano passado'. Que eu possa aproveitar ao máximo todas as oportunidades que aparecem e que eu desfrute com amor todos os novos sabores. E, mesmo sabendo o quão difícil é atender a essa 'súplica', eu peço que todas as pessoas que eu amo e que me fazem ser uma pessoa melhor, estejam comigo novamente no ano que está pra chegar. Que não me deixem e que eu não os deixe novamente. Feliz ano novo, paz e esperança para todos. Muito amor no coração, porque é disso que nós (e mundo) precisamos. Paciência pra esperar e fé para seguir. Que tudo seja sempre melhor que ontem.
Dani Fechine
Dani Fechine
14 dezembro 2012
O amor pode dar certo
Amor pode ser a solução. Com tanta hipocrisia e pouco profundidade nesse mundo, amor pode ser a única saída. Olho para os lados e não enxergo nada que me prenda a atenção, além de franzir a testa com um ato de indignação ou de repúdio. Ou até acabar com as minhas expressões, porque até elas, as vezes, se privando ganham mais. Em um mundo de pessoas vazias, qualquer porcentagem de sabedoria é válida. Um mundo onde o 'ter', possuir e 'mostrar' valem muito mais que o 'ser', o agir e o guardar, no mínimo o amor é a única proposta válida. Fomos condicionados e hoje, bonito mesmo, é quem foge do padrão. Bonito é quem sai da conduta rasa imposta pelo mundo e cria a sua própria. É um clichê dos grandes, mas ele nunca fez tanto sentido como agora que escrevo. O tempo hoje parece dar valor aos carros milionárias, a carteira gordinha e a aparência. Isso tudo acrescenta sim, não há dúvida. Mas pra quem tem cabeça boa. Mentes com musiquinhas de elevador estragam ainda mais a luxúria. E mais uma vez, o amor por salvar. Procura-se inteligência, dedicação, discernimento, em um mundo onde a preguiça vem prevalecendo. Se o planeta fosse delimitado por paredes, faltariam espaços para as escoras. E sobraria um lugar definitivamente enorme pra quem sabe ser intuitivo e sábio.
Em um mundo onde as pessoas tanto se fecham para opiniões diferentes, como podemos pensar em mudá-lo? Mudar o mundo é surreal. As ideias e opiniões são diversas e o ser humano é um só ser quando bate de frente com a crítica e a oposição. Nós não podemos mudar o mundo, as pessoas e as coisas, mas o amor pode salvar. A gente não pode, simplesmente, abrir a mente das pessoas, extinguir o preconceito... Mentes abertas nem sempre são tão fáceis, lembre-se disso. Todos nós agarramos os nossos dogmas e condutas e qualquer intervenção é uma nova revolução francesa. Defendemos nossos ideais mas esquecemos de respeitar o do próximo. E, infelizmente, nós não podemos mudar a conduta mundial. Mas o amor pode. Em um mundo tão egoísta e tão mesquinho, não se pode esperar muito das pessoas. Elas sempre têm muito a oferecer mas muito pouco oferecem. Guardam suas dádivas para si e mal usufruem delas. Guardam sua felicidade e dessa forma não conseguem multiplicá-la.
Nos foi dado, eu sei, o poder de escolha. Mas não podemos, de forma tão simples, optarmos somente por nós. A vida é uma sociedade. E tudo bem que todos nós precisamos estar sozinhos de vez em quando, mas por motivos óbvios e pessoais. Nós precisamos do próximo, querendo ou não. E para implodir com o egoísmo, o amor está aí. Hoje quando acordei eu pensei em desistir, mas o amor me mostrou que com ele a estrada é bem mais harmoniosa. É bom seguir assim.
Dani Fechine
Em um mundo onde as pessoas tanto se fecham para opiniões diferentes, como podemos pensar em mudá-lo? Mudar o mundo é surreal. As ideias e opiniões são diversas e o ser humano é um só ser quando bate de frente com a crítica e a oposição. Nós não podemos mudar o mundo, as pessoas e as coisas, mas o amor pode salvar. A gente não pode, simplesmente, abrir a mente das pessoas, extinguir o preconceito... Mentes abertas nem sempre são tão fáceis, lembre-se disso. Todos nós agarramos os nossos dogmas e condutas e qualquer intervenção é uma nova revolução francesa. Defendemos nossos ideais mas esquecemos de respeitar o do próximo. E, infelizmente, nós não podemos mudar a conduta mundial. Mas o amor pode. Em um mundo tão egoísta e tão mesquinho, não se pode esperar muito das pessoas. Elas sempre têm muito a oferecer mas muito pouco oferecem. Guardam suas dádivas para si e mal usufruem delas. Guardam sua felicidade e dessa forma não conseguem multiplicá-la.
Nos foi dado, eu sei, o poder de escolha. Mas não podemos, de forma tão simples, optarmos somente por nós. A vida é uma sociedade. E tudo bem que todos nós precisamos estar sozinhos de vez em quando, mas por motivos óbvios e pessoais. Nós precisamos do próximo, querendo ou não. E para implodir com o egoísmo, o amor está aí. Hoje quando acordei eu pensei em desistir, mas o amor me mostrou que com ele a estrada é bem mais harmoniosa. É bom seguir assim.
Dani Fechine
25 novembro 2012
Neguinha, te encontro na fé
Queria poder te dizer, frente a frente, que eu não acredito na sua ausência. Você ainda é presença forte na minha vida e na de cada um que com seu sorriso ficou. Estranho é chegar em casa e não te ver mais sentada à mesa em horário de almoço, com todas as suas manias postas ali. Vazio é começar o meu dia e não te ver caminhar pela casa, é pegar o caminho para escola e não receber sua bênção antes de sair de casa: "Vai com Deus e pelo cantinho do muro." Confesso que nunca entendi muito bem essa sua teoria, mas nunca te desobedeci.
Difícil é, em um dia de descanso qualquer, deitar nas almofadas da sala, assistir a qualquer novela, e não ter ninguém como a senhora para me fazer rir com as comparações de cada personagem. Como você dizia: "É osso!" É difícil levar a vida sem a senhora, chegar das minhas responsabilidades tarde da noite e não te ver sentada na sua poltrona, quase dormindo, mas sempre dizendo: "Tô assistindo...Vou já dormir." Porque da mesma forma que eu sinto falta das suas manias e dos seus carinhos, sinto também das suas broncas. Do copo em cima da mesa, da louça suja, dos livros espalhados pela casa, dos pés no sofá. Saudades, vó.
Lembra das noites de apagão? Lembro-me de como me divertia dormindo no terraço com a senhora; você dormia como um anjo, e eu não aguentava nenhuma hora perto daqueles mosquitos. Lembro-me muito bem de como a senhora sempre me elogiou muito pra todo mundo que viesse a conversar com você. Sempre acreditou na minha vitória, e de que eu conseguiria passar no vestibular. Sempre me mandava descansar, parar um pouco de estudar, sair com meus amigos. Quando resolvia seguir seus conselhos e me arrumava da melhor forma que eu sabia, você olhava pra mim com um olhar de saudade interior e dizia: "Tá uma gata, vai arrumar um 'coelho' por lá." A verdade é que eu nunca arrumava, nem nunca ia pra arrumar um, mas sempre saía de casa com um sorriso no rosto por ouvir suas palavras extrovertidas.
Lembro que você mandava eu guardar comigo a melhor amiga que eu tenho. Deixava sempre bem claro que ela era como uma neta e que eu tinha uma amiga de verdade. "Cadê Bia que nunca mais veio aqui?" E então ela aparecia pra te trazer alegria. Hoje a gente leva a vida sem a senhora, mas com a certeza de que tem um anjo nos guiando para sempre. Os domingos nunca mais serão os mesmos, muito menos a alegria desta casa. Os jogos de futebol e de vôlei também não terão a mesma emoção. Minhas conquistas nunca mais terão um gosto muito bom; faltará você pra me parabenizar, me abraçar e dizer que está muito feliz por mim. Nunca mais teremos um Natal feliz. É forte dizer isso, mas é uma verdade que temos que encarar. Nossos finais de ano serão os nossos piores recomeços. Meu aniversário já começou a mudar de estrutura. Triste mesmo foi não te ter por perto nos meus 18 anos de vida. Triste foi não ouvir você dizer: "Eu que estou ficando velha..."
A senhora sabe que difícil mesmo, além de te ver partir assim, foi te escrever. Demorei um tempo pra me acostumar com a ideia de que você não leria isso. E difícil também foi relembrar tantos fatos e saber que eles não voltam mais. Deixo aqui a minha declaração de que esse foi o texto mais difícil de escrever, e diante mão, não será o último. A única forma que encontro de eternizar a senhora, vó, é te escrevendo. É deixando bem claro a sua importância na minha vida. Estando por aqui ou não.
Na última vez que nos vimos, você me pediu com lágrimas nos olhos, que eu rezasse pra senhora sair logo daquele hospital. Eu rezei. Perdão vó, se não foi o suficiente. Sentirei e sinto saudades enormes das suas brincadeiras e das suas alegrias. Infelizmente não houve tempo pra que você me ensinasse a costurar. Agora a gente paga uma costureira pra fazer algumas roupas, acredita nisso? E a gente sempre diz: "Vovó faria isso rapidinho..." Saudades, vó, de te ensinar todos os dias a ler as mensagens no celular, saudades de te ver reclamar desses cabelos tão lindos e tão lisos, saudades da sua voz, do seu sorriso, saudades de ver deitada na cama, e sobretudo, de te ter aqui dentro de casa. Perdão, vó. Perdão se não fui muitas vezes a neta que você quis ter, perdão se falhei, se deixei a desejar. Perdão, principalmente, por meu silêncio tão grande. Sempre gritei dentro de mim o quanto eu te amava, e embora não explodisse isso sempre, você tinha certeza disso. Perdão, vó, mas eu não consigo não chorar. Sei que estás num lugar maravilhoso, fazendo jus a pessoa que você foi. Mas eu não consigo não ter saudade. Eu não consigo me acostumar com sua ausência. Eu sei que estás aqui, e sei que estarás para sempre. Eu te amo. A gente se encontra um dia, eu tenho certeza.
Dani Fechine
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